LIVERPOOL

Mas, sem dúvidas, foi o Liverpool a primeira banda gaúcha a alcançar certa notoriedade nacional na década de 60, apesar de possuir uma discografia reduzida em sete anos de atividades. O quinteto, oriundo do IAPI, bairro operário onde cresceu a cantora Elis Regina, na Zona Norte de Porto Alegre, formou-se em 1965, e em 1967 tinha a seguinte formação: os irmãos e guitarristas Milton “Mimi” Lessa e Marcos Lessa, Marquinho “Fughetti” Luz (cantor), Edinho Espíndola (bateria) e Carruíra (baixo).
Dois anos mais tarde, os guris da Zona Norte ganham espaço em festas e bailes pelos arredores da Capital e iniciam excursão pelo interior do Estado. A banda, empresariada pelo Jorge Alé (Gordo Salim), assina contrato com a TV Gaúcha, onde estreia no “GR Show”, sob o comando de Glênio Reis (padrinho do grupo). Com a saída de Carruíra, assumiu o posto Vilmar Santana, o Pecos. Com essa formação, o quinteto se torna o decano do Rock gaúcho, após lançar o álbum “Por Favor, Sucesso”, gravado em 1969 pela Continental, projetando o Liverpool no cenário nacional.
Os gaúchos travam uma verdadeira batalha para obter o registro sonoro. A odisseia se inicia quando o compositor Carlinhos Hartlieb, autor do hit “Por favor, Sucesso”, inscreve a música no 2º Festival de Música Popular da Faculdade de Arquitetura e convida o quinteto porto-alegrense para interpretá-la no palco da Reitoria da UFRGS.
Eis que o Liverpool vence a etapa regional do evento e representa a região Sul no Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Chegando lá, são impedidos de participar do evento, uma vez que a canção não era originária dos rio-grandenses. Porém, a saga tem um desfecho feliz. Quis o destino que os gaúchos permanecessem no Rio, onde, com um contrato em mãos para gravar, acabam lançando o mítico álbum de estreia.
Considerado o primeiro registro em vinil genuinamente do Rock gaúcho, o LP (long play) afirmaria a consolidação da carreira do Liverpool. Coincidentemente, no mesmo ano em que seus contemporâneos, os ingleses do Led Zeppelin, apresentavam ao mundo seus dois primeiros discos.

O Liverpool durou até 1973, deixando registrados um disco e dois compactos que trafegavam entre o Rock clássico inglês e americano, o Psicodelismo e a Tropicália – fórmula já antevista pelos Mutantes e por algumas faixas isoladas de álbuns de bandas como O Terço e outras não tão conhecidas.
Na avaliação da mídia especializada, o Liverpool explorava mais o Tropicalismo e possuía uma sonoridade mais avançada que o Mutantes, na época. “O Liverpool pendeu mais para o Tropicalismo, todas as faixas são tropicalistas tocadas por uma banda de Rock”, compara o músico e escritor Egisto Dal Santo.
Era uma época em que a indústria fonográfica sobrevivia basicamente pelos compactos, até porque LPs eram raros de achar e caros para comprar.
Então, fica fácil entender porque outros conjuntos contemporâneos não lançaram nenhum registro em vinil.
Fonte: Leite, M., Aguiar, L. A., & Torraca, D. (2015). Tá no Sangue! A História do Rock Pesado Gaúcho. Edição dos Autores.