[ALBUM] Paranoia Suicida – Vários Artistas [1990]

A coletânea “Paranóia Suicida” é um documento sonoro bruto da transição dos anos 80 para os 90 em Porto Alegre. Enquanto o “Rock Gaúcho” comercial começava a flertar com o pop ou a enfrentar crises de gravadoras, o underground gritava mais alto. O álbum foi lançado em 1990 pelo selo independente Sulcos Suicidas.

Espírito DIY: A produção foi totalmente independente, movida pelo espírito Do It Yourself (Faça Você Mesmo).

Estúdio: Grande parte dessas bandas gravava no lendário Estúdio ISAEC, que era o porto seguro da produção independente na época.

Qualidade Sonora: o “Paranóia Suicida” prezava pela crueza. O som era sujo, rápido e urgente, refletindo a falta de recursos e a estética punk/hardcore.

A seleção mapeou as bandas que estavam na linha de frente dos shows nos Bares e em festivais suburbanos.

Diversidade do Peso: A coletânea reuniu desde o Punk Rock mais tradicional até o Hardcore e o Crossover.

Destaques: Pupilas Dilatadas traziam um som já mais estruturado e influente.

Bandas como Vômitos e Náuseas e Ratos do 3º Mundo representavam o lado mais agressivo e niilista da cena.

Jack e Os Estirpadores adicionavam uma pitada de “sujeira” mais Rock ‘n’ Roll ao mix.

 


Para entender o disco, é preciso entender o momento de Porto Alegre:

Pós-Ditadura e Crise Econômica: O final da década de 80 foi marcado por hiperinflação e desilusão política. O punk era a resposta estética a esse cenário.

Resistência ao Mainstream: Enquanto bandas como Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós ganhavam o Brasil, o “Paranóia Suicida” mostrava que havia uma Porto Alegre que não queria ser “bonitinha” ou poética; ela queria incomodar.

Circuito Alternativo: O disco serviu para profissionalizar minimamente a cena. Ter um vinil lançado por um selo (mesmo que pequeno) dava às bandas um “cartão de visitas” para tocar em outras cidades e estados.

Invisibilidade como Opção (arte): O texto visual do disco grita que aquela Porto Alegre era “suicida” porque sobrevivia à margem, ignorando as fórmulas do rock gaúcho de rádio

Cena Unida: O manifesto era o próprio ato de lançar um álbum punk/rock vinil em 1990, um ano de crise econômica brutal (Plano Collor), onde gravar um disco independente era quase um ato de loucura financeira.

O Selo Sulcos Suicidas

O manifesto implícito do disco está no selo que o pariu: o Sulcos Suicidas. Este selo foi fundamental para o nascimento da produção independente “profissional” no RS. Foi por ali que Carlos Eduardo Miranda (antes de se tornar o produtor nacionalmente famoso) começou a exercer sua “piração” sonora, produzindo o primeiro compacto das Pupilas Dilatadas em 1987. O “Paranóia Suicida” carrega esse DNA de “faça você mesmo, mas faça com barulho e verdade”.

Hoje, o “Paranóia Suicida” é considerado um “item de museu” do rock extremo sul-riograndense. É o tipo de material que prova que a identidade musical do RS tem camadas muito mais profundas, eletrônicas e barulhentas do que a história oficial costuma contar.

 


 


ENCARTE [PDF 2Mb]

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