“Não Me Mande Flores” é uma das canções mais lembradas do rock gaúcho, ocupando um lugar especial no que se poderia chamar de “hinário” afetivo do gênero. A canção tornou-se um clássico na voz de Edu K com a banda DEFALLA, mas sua origem é anterior ao surgimento do próprio grupo, remontando aos primeiros anos da década de 1980 em Porto Alegre .
A origem da canção
A letra de “Não Me Mande Flores” foi escrita por Luciene Adami, vocalista da banda Urubu Rei no início dos anos 1980 . Em depoimentos, Luciene conta que compôs a letra que mais tarde se tornaria um sucesso na voz de Edu K . A música nasceu durante um ensaio da Urubu Rei, a partir de uma parceria com o guitarrista Castor Daudt, responsável pela parte musical (arranjo). O Miranda sempre atribuiu as composições para a Banda toda, mas quando precisou registrar para gravar com a banda DEFALLA, ficou com a Luciene, Castor e Flu.
A inspiração e o contexto de criação
A história por trás da composição revela sua autenticidade: a letra foi inspirada em uma situação real vivida por Luciene Adami. De acordo com relatos de Castor e Flávio “Flu” Santos no livro “Sem Nenhuma Direção: DeFalla, 1987“, a canção narra o cansaço de Luciene diante das investidas insistentes e abusivas de um ‘admirador inconveniente’.
A cena se passou em uma tarde ensolarada de 1983, durante um ensaio da Urubu Rei no pátio da casa de Carlos Eduardo Miranda, na rua Liberdade, em Porto Alegre. Enquanto Luciene desabafava sobre o “admirador” que insistia em conquistá-la de forma abusiva – o que hoje chamaríamos de stalker, Castor Daudt, que ouvia atentamente sua indignação, começou a transformar aquele sentimento em música. Primeiro nasceu o riff de abertura, Biba Meira acrescentou as primeiras batidas na bateria, e a canção foi ganhando forma naturalmente .
O significado e o legado
O livro “Sem Nenhuma Direção: DeFalla, 1987”, dos autores Emerson Giumbelli e Frederico Machado, analisa o disco de estreia do DeFalla e destaca a importância da canção. Segundo a obra, “Não Me Mande Flores” é uma música que trata de um relacionamento abusivo, trazendo “um olhar feminino interpretado visceralmente por Edu K” . Os autores classificam a faixa como uma canção de “antiamor“, que tornou-se característica marcante do DeFalla na época, e abordava o amor de maneira não romântica, contestando as fórmulas tradicionais .
A indignação de Luciene transformou-se em um símbolo de independência emocional, sendo celebrada em shows e tributos ao longo dos anos . A origem da canção está, portanto, diretamente ligada à fase da Urubu Rei com Luciene Adami nos vocais – uma composição da vocalista (letra) em parceria com Castor Daudt (música) -, que mais tarde se tornaria um grande sucesso na voz de Edu K com o DeFalla, perpetuando-se como um clássico atemporal do rock gaúcho.
Existe uma versão registrada em estúdio com o vocal do Julio Reny (final do post) que é a mais próxima da primeira gravação com ‘as meninas’, porém é de 1985. A primeira versão de ‘Flores’ foi muito bem executada nas Rádios Ipanema e Atlântida no inicio dos 80 (83-84) e alavancou o sucesso da Banda. No mesmo setlist estão as canções ‘Quindim‘ e ‘Nega vamos pra Boston‘.
Allan Sieber ilustrou a canção e posteriormente se transformou em uma ‘caneca personalizada’ da banda DEFALLA que tem à venda na Coffin Fang Store

