jul 122022
 

No ano de 1978, surgiu, na Rádio Continental, um grupo de humor irreverente e muito ousado para a época.

Os Discocuecas naceram quando Beto Roncaferro, Gilberto Travi, João Antônio e Julio Fürst começaram fazendo uma participação de 15 minutos no rádio, no programa do Julio, que havia acabado de apresentar seu mítico Mister Lee.

Os Discocuecas (1983)
Da esquerda para a direita, Gilberto Travi, Mestre Julio, Beto Roncaferro e Toninho Badarok.
Fonte: Acervo particular de Julio Fürst.

Em 1977, começa o ciclo daquele que vai se transformar no último programa exclusivamente humorístico do rádio em amplitude modulada do Rio Grande do Sul. Ocupando o horário das 18 às 19h, na Continental, Julio Fürst, encarnando então o Mestre Julio, coloca no ar, nos últimos 15 minutos do seu programa, paródias de comerciais, músicas satíricas e personagens cômicos. Junto com Beto Roncaferro (Jorge Gilberto Dorsch), Gilberto “Bagual” Travi e Toninho Badarok (João Antônio Araújo), cria, assim, os Discocuecas, explorando a paródia e a gozação na abordagem do universo artístico e comunicacional da sua época, a da transição entre a ditadura e a democracia.

Referência satírica à moda discothèque, inaugurada um pouco antes com o lançamento de Love to Love you Baby, de Donna Summer, o trabalho dos Discocuecas ganha corpo, ao longo de 1978, quando o filme Embalos de Sábado à Noite, de John Badham, chega aos cinemas brasileiros e a novela Dancin’ Days, de Gilberto Braga, estoura na Rede Globo de Televisão. No ritmo mais tocado então pelas rádios, fazem sucesso junto aos ouvintes, no final da década, canções próprias – como É Só Dançar, lançada em 1978 pela gravadora Isaec – ou paródias – por exemplo, A Nonna Viu, uma versão de In the Navy, do grupo nova-iorquino Village People, cantada sobre a base sonora original.

Texto completo:

2006 – Luiz Artur Ferraretto

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