[PRESS] DEFALLA a vez do Rock (1992)

Matéria da revista Zine do Jornal do Brasil de 02/07/1992 sobre o show do Defalla no Circo Voador (RJ) em 1992, lançando o Kingzo! Poindexter, Beach Lizards, Pinups e Children Sex abriram o evento.

DEFALLA – A VEZ ROCK

PAULO REIS

Ligado numa voltagem eletrônica, o Defalla é um liquidificador sonoro onde se destaca Edu K – um misto de Ice-T, James Brown, Flavor Flavor (Public Enemy), Antony Kiedis, Shabba Ranks e Wanderléa. Os ingredientes do novo disco Defalla king zo bull shit back in full effect 92 ou Buy dis mutha fucka n’shit tha fuck up vão do do soul no rap, da disco ao eletrônico, do pop no hard core, numa mistura capaz de eletrocutar defunto.

O gaúcho errante que garantiu sua vaga no próximo Hollywood Rock fala para Zine.

— As letras do novo disco ainda falam em sexo, drogas e violência?

— Drogas, nem tanto. A droga pode ser um estado alterado, até místico. Às vezes, você tá tão feliz ou triste, que parece dopado. Mas sexo e violência tem bastante, mas nada programado. É a vida.

— Como fica o Defalla no cenário rock nacional?

— Eu acho que o Defalla é uma banda sempre à parte. Quem tá mais perto do eixo Rio-São Paulo tá mais à mão das gravadoras. O Defalla é uma banda futurista porque a gente tá misturada com rock com dança e por aí. Tem muita banda boa como Moleque de Rua, Fábrica Fagus, Colarinhos Caóticos, X-rated. Eu gostaria de ver mais bandas eletrônicas.

— Porto Alegre ainda é muito longe das capitais do disco?

— Não é que o imbecil do Humberto Gessinger tinha razão? Muitas bandas boas de outras cidades esperam há mais de um ano para lançarem disco, mas não querem fazer um independente. Esperar por uma multinacional é burrico.

— Edu K, tem pinta de rocker situação ou vai ser sempre um marginal?

— Eu tenho um lado marginal que é grande, mas não quero ser eternamente. É legal ser dono do seu trabalho, mas sem essa de dureza. Quero que os caras achem que eu sou o que eles querem, mesmo sabendo que eu nem sei quem sou. Neguinho achar que sou o que eles pensam, mas menos babaca.

— Lançar disco em inglês e fazer show lá fora é uma estratégia?

— Nós somos cidadãos do mundo. Se a gente fizer show lá fora, a gente volta como rei. É burrico achar que não se pode cantar em outra língua. Assim, a gente não podia usar avião, fax, telefone pois é tudo invenção lá de fora.

— E o disco novo. Vocês vão fazer show pelo Brasil com ele?

— O Defalla é uma surpresa, pois neguinho vai lá para ver o que os caras estão fazendo. É sempre alguma coisa nova.

 

 

Deixe um comentário