‘Minas no punk: banda 3D, formada só por mulheres, lança nova música’
Transcrição (na íntegra) da publicação em ZERO HORA DIGITAL, em 26/02/2018 / Redação Donna
Nos anos 1980 (primeira foto), Polaca (à esquerda), Vera Costa, Ana Portanova e Neca Heinz fundaram a banda.
As músicas que a banda 3D canta há 30 anos parecem terem sido escritas em 2018. Empoderamento feminino e debates sobre igualdade de gênero são apenas dois dos temas que Porto Alegre já muito ouviu pelo microfone e as caixas de som da banda formada só por mulheres. Lideradas pela vocalista Polaca, 51 anos, elas fazem parte do cenário punk rock gaúcho e mantém vivo o movimento no RS.
A banda surgiu em meio à efervescência do punk rock no bairro Bom Fim nos anos 80. Mas foi por movimento de fãs em 2016 que Polaca Rocha convidou mulheres que admirava para fazer parte do retorno da banda.
– Várias pessoas começaram a pedir para a gente voltar, então fui atrás delas e fiz acontecer – conta.
Na última semana, elas fizeram parte do lançamento da coletânea Insubmissas – 25 Anos de Pussy Wipped, uma homenagem à banda feminista Bikini Kill, pela Noisey Brasil. Várias bandas de punk rock fizeram parte do tributo, e a 3D é a responsável pela faixa 8 do álbum: Star Bellied Boy. A música pode ser ouvida no site da Hérnia de Discos, grupo que fomenta música e experimentos feitos por e com mulheres.
O retorno se deu em 2016, na seguinte nova formação: Julia Barth (baixo), 35 anos, Letícia Rodrigues (guitarra), 39 e Liege Milk (bateria), 31. Elas deram uma cara nova para a banda e voltaram a entoar os principais hits da época. As músicas Mal Educada, Desorientada e Autista ainda falam sobre as mesmas realidades que Polaca vivia nos anos 1980 e se tornam muito atuais, tratando de relações abusivas e de como as mulheres são donas de si.
Entre altos e baixos, filhos e a mudança cultural para a mulher na música, a banda busca ainda mais espaço na cena musical.
– A situação da mulher mudou, mas ainda tem muito para mudar. Tu tem que ocupar o teu espaço, se não simplesmente não vai ter lugar – desabafa Polaca. – Mas nós não ficamos devendo para menino nenhum – brinca.
Liege conta que o convite para trazer de volta a 3D foi uma surpresa muito feliz.
– A 3D era uma referência já que foi uma das primeiras bandas só de minas no punk – conta Liege. – Hoje são elas que inspiram outras meninas no cenário musical e contam que nos shows a maioria do público são as mulheres.
Não é só na música que elas inspiram: Letícia além de comandar a guitarra, se dedica ao pós-doutorado em neurociência e ainda diz que admirava Polaca:
– Eu era muito fã dela! Agora é muito punk a oportunidade de reeditar a banda.
A vocalista afirma que o movimento punk rock feminino está sempre em transformação e diz estar feliz com o novo momento do grupo.
– O punk rock é uma cena antiga em Porto Alegre. Ele vai se renovando como tudo e hoje continua sendo importante, porque é resistência, é inconformado, é feminista e mais do que estético. É tão importante que está sendo criminalizado – diz Polaca.

Polaca (à esquerda), Vera Costa, Ana Portanova e Neca Heinz
Foto: Sylvio Sirângelo (1988)

Foto: Mariana Korman (2018)
Video ‘medley’
Fonte gauchazh.clicrbs.com.br/donna/noticia/2018/02