[PRESS] DEFALLA retorna aos palcos com sua formação clássica (2013)

DEFALLA retorna aos palcos com sua formação clássica

Em tempos em que o rock nacional não anda lá em seus melhores dias, é sempre uma boa notícia que uma banda bacana está voltando, e com álbum de inéditas. Os gaúchos do Defalla, surgida em meados dos anos 80, no boom do rock brasileiro, retornam com sua formação original – Edu K nos vocais, Castor na guitarra, Flu no baixo e Biba na bateria. “Na verdade, esta foi a segunda formação. Mas foi assim que ficamos conhecidos, gravamos os dois primeiros álbuns e a coletânea Rock Grande do Sul”, esclarece o vocalista.

A banda prepara um documentário em curta-metragem contando sua história e pretende ainda lançar CD e DVD ao vivo até o final do ano. Conversamos com Edu K e Castor para relembrar um pouco da trajetória do grupo, de letras irreverentes como a clássica “Não me mande flores” e que já flertou até mesmo com o funk carioca, e saber um pouco mais sobre estas e outras novidades.

DYNAMITE – Conta um pouco do que vocês têm feito nos últimos anos.

EDU K – Na verdade cada um fez muitas coisas diferentes. A Biba toca em algumas bandas e é professora de bateria. O Flu faz música eletrônica e agora tem um trabalho solo mais puxado para o rock. O Castor se mudou para Maceió há muitos anos e trabalha na TVE, além de continuar fazendo som: inclusive teve uma banda só de Beatles que foi bem famosa na região. Eu… bom, eu fiz muita coisa! Mas o destaque vai para minha carreira como DJ no exterior! Venho fazendo tours pelo mundo todo desde 2005 e já lancei vários discos, EPs, singles, remixes, etc, na gringa. No momento estou apresentando o programa de TV Breakout Brasil no Spin, canal da Sony e me preparando para lançar um EP triplo com 24 músicas, uma tour desse trabalho pelo Brasil e uma nova tour pela Europa em maio.

DYNAMITE – Como surgiu essa ideia de um novo álbum?

EDU K – Há um ano e meio nos reunimos de novo para tocar o primeiro disco, ‘Papaparty’, na íntegra no projeto ‘Discografia Rock Gaúcho’ em Porto Alegre. A partir disso, vieram vários shows nos principais festivais de rock do Brasil e começamos a passar mais tempo juntos, fazendo um som, só de zoeira, e sentimos que estava na hora de fazer um disco novo, celebrando essa nova fase.

DYNAMITE – A ideia é lançar em vinil também como muitos estão fazendo agora? E o que você acha dessa “volta do vinil”?

EDU K – Acho ótimo lançar em vinil! Na real, o vinil nunca foi embora para voltar agora, apenas se tornou uma coisa mais cult mesmo. E tem todo o ritual de ouvir lado A e lado B, curtir a capa do disco, ler as informações no encarte, etc.

DYNAMITE – O disco vai sair independente, não é isso? Como você vê o mercado fonográfico hoje? As coisas estão muito diferentes lá dos anos 80? Internet, música digital e tudo isso, o quanto ajuda as bandas a conseguirem seu lugar?

EDU K – Sim, tudo mudou radicalmente, porém ainda estamos num momento de transição onde underground e mainstream ainda trocam figurinhas. A internet foi fundamental para estes novos tempos, mas acho que a coisa ainda precisa se expandir mais um pouco. A ‘ferramenta’ ainda precisa ser melhor usada.

DYNAMITE – Vocês pretendem relançar discos antigos?

CASTOR – Tivemos até proposta de uma grande gravadora para regravar e lançar músicas antigas, mas acreditamos que elas são ‘clássicos’, por assim dizer, e não queremos mexer no que achamos que ficou bom. Por que regravaríamos? Existiu a ideia de se lançar um CD/DVD ao vivo, com músicas antigas, (e algumas novas), que ainda está em planejamento. Está em fase de finalização um Documentário/ Curta-metragem sobre o DeFalla, feito pela Zeppelin Filmes de POA. O nome provisório é ‘Sobre Amanhã’. Por este motivo, também, deixamos o projeto do DVD ao vivo em suspenso, por enquanto.

DYNAMITE – Vocês já fizeram muita coisa, experimentaram “estilos” diferentes. Como você define esse novo álbum?

EDU K – Para ser bem sincero, não consigo dar uma definição. Como tudo que já fizemos no Defalla, esse disco é mais um híbrido de coisas que a gente gosta: vai de rock progressivo à grunge e mais um pouco! Mas a banda sempre teve essa sinergia, a gente se junta, toca e, o que sair saiu, sem muitas definições ou planos.

DYNAMITE – Como é o contato da banda com os fãs e como essa volta foi recebida?

CASTOR – O contato é direto, como sempre foi, afinal nunca fomos dados a estrelismos e os fãs sempre tiveram acesso total aos nossos camarins, hotéis, vans, ônibus, etc. Sempre com muito respeito e bom-humor. Hoje em dia o contato continua direto, e ainda soma com o contato virtual, por causa do Facebook, do Twitter, etc. Eu mesmo fico constantemente conversando com fãs no Facebook, e tento atender e ser simpático com todos, dentro do possível. A recepção desta volta da formação clássica do DeFalla foi muito emocionante e nos surpreendemos com a gentileza, o respeito e o amor que muitas pessoas ainda têm pelo DeFalla. E muitas pessoas que não conheciam, ou nunca tinham visto shows nossos, viraram fãs de carteirinha após assistirem ao nosso show. Um show do DeFalla você nunca esquecerá, isso é certeza!

DYNAMITE – Gostaria que me falasse um pouco da época em que vocês “brincaram” com o funk carioca. Houve muitas críticas? No que aquele momento musical de vocês influenciou a banda depois?

EDU K – Essa fase foi muito legal! Nenhum dos membros originais da banda participou do disco ‘Miami Rock 2000’, que lançou a música ‘Popozuda Rock N’ Roll’ mas, nessa época me apaixonei pelo funk carioca e a banda se mudou para o Rio de Janeiro. Já curtia funk desde os tempos do DJ Marlboro e das rádios de montagem, além de ter produzido o primeiro disco da Comunidade Nin-Jitsu, banda pioneira da fusão de rock com baile funk, de Porto Alegre. Após a produção do ‘Broncas Legais’, o disco da CNJ, me interessei ainda mais por funk e o Defalla lançou a ‘Popozuda’, logo assinando contrato com a gravadora Sony Music. Rolou muito nariz torcido dos fãs da banda, indignados pela fusão de rock com funk, mas achava isso tudo muito engraçado. Na real o Defalla sempre foi uma banda que misturou tudo, sem preconceitos, sempre foi nosso lance e não seria diferente com o funk. O que foi muito legal é que a banda foi responsável pelo crossover do funk para as rádios rock do país, que bombaram a faixa na época. O funk não influenciou o Defalla pós ‘Popozuda’ mas eu, em carreira solo, continuei brincando com essa sonoridade e em 2005 comecei minha carreira internacional como DJ com o disco ‘Frenétiko’, todo nessa linha (mas mesclando funk com electro, reggaeton, house) e lançado pelo selo alemão Man Recordings no mundo todo.

 

 


Texto: Fernanda Tavares
Fotos: Fernanda Chemale
Fonte: Revista DYNAMITE, Ano XX, 2013 – NÚMERO 121
Março-Abril/2013

 

 

 


 

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