[PRESS] Tempo de revolução Musical [Miranda e a Banguela Records] (1994)

O estúdio Be Bop, em São Paulo, é um centro aglutinador de talentos. Por lá transitam diariamente novos artistas e figuras carimbadas da MPB, todos envolvidos com a gravação de discos. No mesmo prédio, Carlos Eduardo Miranda, 32 anos, coordena o selo Banguela, vinculado à Warner Music: “O Banguela tem vida, é estúdio e escritório ao mesmo tempo, onde há intercâmbio de bandas, ao contrário de gravadoras grandes que têm mesas e burocratas“, fala, euforicamente.

A ideia de criar o selo nasceu de uma entrevista de Miranda com o grupo Titãs: “Eu sempre carrego várias demos comigo. Mostrei ao grupo que, empolgado com a qualidade do material, teve a ideia de conversar com a Warner (gravadora do Titãs) e montar um selo

Proposta aceita, os sete titãs mais o “fanzine ambulante” Miranda começaram a selecionar as bandas, que hoje são cinco. Ele acredita que “há uma revolução musical no Brasil, com muitas bandas novas de excelente qualidade.” Entre os fatores responsáveis por isto, Miranda destaca: “A gurizada cresceu ouvindo rock nos anos 80 e criou uma tradição roqueira que não tínhamos, o sucesso do Sepultura ajudou muito, a MTV, que trouxe a noticia instantânea, o estouro do Nirvana e a nova geração de jornalistas, que incrustou a cultura jovem na imprensa, foram vitais para o crescimento do nosso rock.”

O fato de muitas bandas gravarem em inglês, ele atribui “ao tempo que as majors ficaram sem dar oportunidade para grupos novos, o que fez com que procurassem o mercado exterior”. O diretor do Banguela prevê, porém, que muita gente vai fazer sucesso no exterior cantando em inglês, porque o rock vai fervilhar no Brasil, o intercâmbio de selos vai aumentar e o mundo todo vai conhecer nossos artistas“. Miranda não admite, mas se suas previsões se confirmarem, sua contribuição terá sido fundamental.

 

Fonte: ZERO HORA, em 20/06/1994

 

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