[RELEASE] As edições ‘Com amor, Muito Carinho’ da Graforréia Xilarmônica

Graforréia Xilarmônica
Com Amor, Muito Carinho [1988]

Ano: 1988
Selo original: VORTEX

 


 

Gravada e distribuída pela VORTEX no ano de 1988.

Em 2020, Carlos Gerbase disponibilizou as fitas cassete originais para digitalização. Com este material, foram entregues as poucas peças originais e as capas que sobraram do acervo. O Relicário do Rock Gaúcho desenvolveu uma “edição extra” com ilustrações das diferentes versões de capas do formato cassete e do CD da BRASA, que utilizam elementos das originais que foram reaproveitados.

 


 

A História de “Com Amor, Muito Carinho”: As Múltiplas Edições da Demo da Graforréia Xilarmônica

A fita demo intitulada “Com Amor, Muito Carinho” foi o primeiro lançamento oficial da banda Graforréia Xilarmônica e desempenhou um papel fundamental em estabelecer seu status cult dentro do rock gaúcho.

Lançada em 1988, a demo chegou às lojas na mesma época do lançamento d’Os Cascavelletes, ambos distribuídos pelo lendário selo Vortex, comandado por Carlos Gerbase.

Considerada a pedra fundamental da discografia da banda, a demotape de 1988 e suas múltiplas edições ao longo dos anos demonstram a procura contínua por este material histórico e a natureza independente da cena da qual a Graforréia fazia parte.

 


 

Detalhes da Gravação Original

– Gravação: Gravada em janeiro de 1988.
– Lançamento oficial: 12 de março de 1988 pelo selo Vortex.
– Formação clássica: A fita capturou a formação que muitos consideram a clássica da Graforréia:
– Frank Jorge (baixo e voz)
– Marcelo Birck (guitarra e voz)
– Carlo Pianta (guitarra e voz)
– Alexandre Birck (bateria)

 


 

Setlist

A demo já continha diversas músicas que se tornariam clássicos cultuados da banda, como “Amigo Punk”, “Buda Baby”, “Empregada”, “Colégio Interno” e “Eu” . A lista de faixas é extensa, contando com 25 músicas que totalizam cerca de 59 minutos de duração.

01. Buda Baby
02. Patê
03. Minha Picardia
04. Hare
05. Eu
06. FLúvio Silas
07. Homem Que Tem Sentimento
08. Rancho
09. Se Arrependimento Matasse
10. Benga Minueto
11. Amigo Punk
12. Baby
13. O Eunuco
14. Kamikaze
15. Empregada
16. Grito De Tarzan
17. Denis
18. Colégio Interno
19. Hordas De Demônio
20. Eu Digo 7
21. Se Você Não Quis
22. Eu Vi O Elvis
23. Eu Gostaria De Matar Os Dois
24. Com Amor Muito Carinho
25. Chega Na Mucra

 


 

A História da Fita: As Múltiplas Edições da Demo (reconhecidas pela Banda)

1ª Edição: Vortex (1988)
O lançamento original, que deu início a tudo. Um detalhe especial e exclusivo desta versão é que ela é a única edição que contém as letras das músicas, que foram datilografadas pelo próprio Frank Jorge e vinham em um encarte à parte.

2ª Edição: Toca do Disco (1993)
Em 1993, a demo foi relançada pelo selo e loja Toca do Disco, apresentando uma capa um pouco diferente (em preto e branco) da versão original da Vortex.

3ª Edição: Brasa Records (1997)
De acordo com Frank Jorge, um amigo da banda chamado Eric Thomas, responsável pelo primeiro show da Graforréia fora de Porto Alegre (em Curitiba, ano de 1993), se empolgou e quis lançar o álbum em formato de CD, criando o selo Brasa Records especialmente para esta finalidade.

A história desta edição começa em 1991, quando Roberto Panarotto deu a Eric Thomas uma cópia da fita demo em cassete. Anos depois, em 1995, durante a gravação da terceira demo da banda Repolho (de Chapecó-SC) em um estúdio de Novo Hamburgo, surgiu a oportunidade de digitalizar a fita da Graforréia. Para transformar o áudio do cassete em CD, era necessário um equipamento específico da época: o DAT (Digital Audio Tape) , que funcionava como ponte entre o mundo analógico e o digital. Foi nesse estúdio que a equipe encontrou Marcelo Birck e finalmente realizaram a digitalização.

A edição saiu em 1997, com tiragem de aproximadamente 50 cópias, e posteriormente foi disponibilizada no Bandcamp. Um detalhe técnico relevante: esta gravação está levemente desacelerada (tanto no site quanto na mídia física), pois o original foi gravado em 48Hz e a cópia ficou em 44Hz.

Características físicas:
– Existem duas variações da edição em CD: cópias com label preto e cópias com impressão colorida onde consta a identificação “BRASA N° 2”.
– As mídias utilizadas eram CD-Rs com camada reflexiva de ouro (coloração dourada/amarelada no lado da leitura), tecnologia comum no período de transição entre 1992-1995, posteriormente substituída pelas mídias prateadas.
– Até pelo menos o ano 2000, produzir CD-Rs ainda era um investimento relativamente alto e dependia de uma tecnologia que, em menos de 20 anos se tornaria obsoleta.

4ª Edição: Festival Made in China (1997)
Uma versão em cassete, com uma capa bem distinta das antecessoras, foi distribuída durante o evento “1º Made in China Festival”, uma feira de produção independente realizada em 29 de novembro de 1997. É exatamente o mesmo áudio do CD da Brasa.

5ª Edição: Tributo Miranda (2021)
Existe a “edição extra oficial” (2021) , que o Relicário do Rock Gaúcho produziu como modelo, levando algumas cópias (em cassete e CD) nos eventos Tributo Miranda. Estima-se que existam pelo menos 6 CDs e 4 fitas destes exemplares no planeta.

O áudio foi remasterizado a partir da fita original VORTEX, proveniente do acervo de Carlos Gerbase. Este exemplar vem em CD cristal e a capa possui oito lâminas, permitindo que o colecionador escolha qual delas ficará na frente. Em 2023, foi acrescentado um pôster à edição.

 


 

Por Que Tantas Edições? O Contexto Segundo Frank Jorge

 

O que explica essa demanda constante por uma fita demo dos anos 80? A resposta de Frank Jorge em uma entrevista de 2017 ajuda a entender.

  • Primeiro, a Graforréia Xilarmônica, “a banda do coração” de Frank, lançou três fitas demo ao longo de sua carreira, sendo “Com Amor, Muito Carinho” a primeira e mais emblemática delas. Elas representam a fase mais criativa e independente do grupo.

 

  • Segundo, e mais importante, Frank faz uma reflexão honesta sobre os rumos da banda. A Graforréia chegou a um “certo ápice, auge” ao lançar discos pela Warner/Banguela, mas, ao contrário de bandas contemporâneas como Raimundos e Mundo Livre S/A, o grupo “não foi morar em São Paulo por um período da vida”. Essa decisão impediu que a banda capitalizasse nacionalmente o momento de exposição na MTV e na revista Bizz.

 

  • O resultado é que, enquanto os discos oficiais da fase Warner ficaram fora das plataformas de streaming (pelo menos até 2017), as fitas demo, relançadas por selos independentes e apaixonados, tornaram-se os principais artefatos físicos para os fãs terem acesso àquele som. É a natureza independente da cena suprindo a lacuna deixada pela indústria e garantindo que o status cult da Graforréia Xilarmônica se mantivesse vivo através dessas preciosas e múltiplas edições de sua pedra fundamental.

 


 

Informações Complementares

Algumas informações que nos ajudaram a elaborar esta cronologia:

*Extraído do texto de Mateus Felipe Soha, Programa de Pós-Graduação, Curso de Mestrado em História, ano de 2021*

Foi deste modo, portanto, que as bandas gaúchas foram apresentadas aos amigos que moravam em outras cidades, como é o caso do amigo dos integrantes da Repolho, que residia em Curitiba.
 Por iniciativa do Paulo de Nadal, que viajava constantemente para a capital paranaense, construindo uma ponte de importação e exportação de materiais mais sólida entre as cidades, é que Eric recebeu várias destas fitas, tendo entre elas uma cópia da Graforréia
Acerca disso, como relembra Gambatto (2021), como o estilo da Graforréia foi uma febre naquele momento, todos ficaram muito entusiasmados com a banda querendo conhecer mais a fundo as suas produções.
 Desta forma, Eric Thomas, que também participava da banda curitibana Emílio e Mauro, tomou a seguinte decisão, de acordo com Gambatto (2021):

 *”Nos nossos 10 anos de amizade, ele (Erick Thomas), queria fazer uma festa lá em Curitiba e queria fazer um show com o Repolho, com Emilio e Mauro e ligou pros caras da Graforréia ‘ó, vocês estão tocando?’, os caras falaram “não. a gente não toca mais, não tem a banda!”. E ai os caras, acho que entraram em contato um com o outro e decidiram “Vamo então!” Diz que fizeram um ensaio e foram. Mas sem o Marcelo Birck, só o alemão, o Carlo Pianta e o Frank Jorge. […] Daí a gente se encontrou em Curitiba e fomos com a Repolho. fomos tocar lá. E lá a gente conheceu os caras da Graforréia”.*

 


 

Fontes Consultadas

As informações foram consolidadas pelo Relicário do Rock Gaúcho a partir de:
– Roberto Panarotto (que gravou o show da GX em Curitiba)
– Matheus Goelzer (biógrafo da Graforréia)
– Ronaldo Zirkel (estava na banquinha dos materiais que estavam sendo vendidos no Made in China e confirmou sobre o CDr da Brasa que estava à venda)
– Samarone Silveira (oráculo do Relicário)
– Reinaldo Portanova (editou o Texto)
– Darlan Porto (que encontrou os Cds)
– Carlos Gerbase (o dono da matriz)
– Entrevista de Frank Jorge para o site Scream & Yell (2017)
– Wikipedia

 


 

Observação técnica sobre as mídias: No início da popularização dos gravadores de CD (por volta de 1992-1995), as mídias utilizavam camadas reflexivas de ouro (daí a cor dourada/amarelada no lado da leitura) para garantir maior durabilidade e estabilidade química. Posteriormente, com a popularização da tecnologia, a indústria adotou a prata (ou ligas de prata) como camada reflexiva. Embora a prata seja mais reativa (pode oxidar) do que o ouro, ela é mais barata e oferece melhor refletividade para lasers mais modernos.

 


ARQUIVO PDF 3MB

GX1988-covers

Comente sobre este post: