[RELEASE] Edu K na banda KM 0 do Julio Reny

Eduardo Martins Dorneles, o Edu K – fundador e vocalista da banda Defalla – sobre Julio Reny no livro “Histórias de Amor & Morte”.

 


 



“Logo que o conheci de cara já comecei a frequentar a casa do Julio e, pouco tempo depois, eu já estava indo dormir lá.

Passávamos a noite inteira conversando. Altos papos. Ele me mostrava tudo de jazz, verdadeiras ‘aulas’. Eu conhecia jazz, óbvio, por causa de meu pai, com o qual eu ouvia muito esse tipo de som em casa. Mas ali, com o Julio, passei a conhecer a fundo caras como Chet Baker e cantoras como Billie Holiday – coisas mais “sentimentais”. E pirei. E ele também começou a me botar livros pra eu ler. Literatura beat, especialmente. Também os autores noir que ele curtia: Raymond Chandler, David Goodis, Rex Stout. Fora os Bukowski, esses caras todos.

Aquilo pra mim, um pirralho dos seus 15 anos, foi uma grande e inestimável escola. Abriu a minha cabeça como nunca antes. Sempre tive muita informação, e cultura, mas porque eu corria atrás. Nem sonhávamos, naquele tempo, com a Internet, então havia apenas uma maneira de se conseguir informação: buscando.

Com o Julio, porém, essa busca rolava de forma aprofundada. Ele mostrou-me um outro lado da vida e da razão de ser das coisas. Minha visão de tudo aquilo era tipo como se eu estivesse ‘no meio de um nevoeiro em San Francisco’. Mas não encontrava-me sozinho.

A me guiar entre as brumas da madrugada estava o Julio. Apaixonei-me verdadeiramente pelo Julio. E não tem como não se apaixonar por ele. O Julio é um cara foda. Pra mim ele era, ao mesmo tempo, Jack Kerouac e Neal Cassady. Os dois juntos. A junção beat perfeita. Viver ao lado dele era beatífico”.

 

Edu K, via Cristiano Bastos

 

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