Takes encontrados da Rádio Continental AM 1120, Porto Alegre
Fernando Ribeiro : Suas músicas geralmente eram apresentadas com a observação “poeta do Porto”, mas quem fazia as letras mesmo era o seu parceiro Arnaldo Sisson. Fernando foi contratado pela EMI e, em suas viagens a São Paulo para gravar o primeiro LP, ligava para a rádio e entrava no ar, no Mr. Lee em Concerto, contando como haviam sido as sessões. Pouquíssimos músicos gaúchos promovidos por Mr. Lee conseguiram lançar LP e Fernando foi o único que teve a gravação divulgada passo a passo para os ouvintes. “Em Mar Aberto ” é uma obra-prima de MPB, um disco praticamente perfeito. A produção que a gravadora lhe proporcionou foi digna de um astro. Ali estão jóias como “Ultimamente “, “Não Demora “, “Hora Imprópria ” e “Estado de Espírito “. Coincidência ou não, a EMI viria a publicar um anúncio institucional de página inteira com a frase: “Eu quero um estado de espírito!” Tudo indicava que Fernando teria uma bela carreira pela frente, ainda mais com o apoio de uma major. Faleceu em 10 de agosto de 2006.
Take na íntegra:
Takes individuais:
01 – Eu Vou Fazer Um Blue (1:52)
02 – Ultimamente (V1) (2:32)
03 – Não Demora (V1) (3:14)
04 – Imagina (V1) (3:18)
05 – Guardado Canto (2:51)
06 – Hora Imprópria (4:18)
07 – No Name (3:42)
08 – Aqui e Ali (3:05)
09 – Surdo Mudo (2:18)
10 – Não Seja Tolo (1:41)
11 – Estado de Espírito (3:06)
12 – Ultimamente (V2) (2:21)
13 – Não Demora (V2) (3:23)
14 – Imagina (V2) (3:37)
Em 1975 e 1976 existia em Porto Alegre um programa de rádio chamado “Mr. Lee em Concerto”. Ia ao ar às dez da noite na histórica Continental AM, frequência 1120, com apresentação de Júlio César Fürst – o “Mr. Lee” em questão. Com o tempo, o radialista decidiu abrir espaço para músicos locais em seu programa e passou a ser exclusivamente com gravações ao vivo ou feitas no estúdio dois da rádio.
Júlio foi o primeiro a divulgar material local em larga escala. Numa época em que nem disco independente existia, a iniciativa de rodar meia-hora de gravações exclusivas todas as noites acabou furando um bloqueio e criando um movimento. A música do Rio Grande do Sul nunca mais foi a mesma.
Além do programa, “Mr Lee” promovia ainda shows coletivos. Não só em Porto Alegre mas também no interior. E depois de um certo tempo o “Mr. Lee em Concerto” passou a ir ao ar simultaneamente na Rádio Iguaçu, de Curitiba. Em 1976 o “Vivendo a Vida de Lee” na capital paranaense, no Ginásio do Círculo Militar (“Palácio de Cristal”), surpreendeu os próprios organizadores com o público com seis mil pessoas.
Luiz Juarez Pinheiro não perdia um só “Mr. Lee em Concerto” e fez mais do que apenas ver e ouvir: com um pequeno gravador portátil, ele gravou vários programas. E manteve suas fitas bem guardadas por todos esses anos. Em um grupo de discussão sobre música disponibilizou nada menos do que quatro CD-Rs com suas raridades.
Por Emílio Pacheco
Publicado originalmente no International Magazine Ed. 90
O texto original foi resumido e o áudio foi remasterizado em 2025 pelo Relicário do Rock Gaúcho