Takes encontrados da Rádio Continental AM 1120, Porto Alegre
Gilberto Travi e o Cálculo IV: MPB com pitadas de Jazz e blues, com letras inteligentes e provocativas, nas quais eram utilizadas muitas das gírias dos anos 70, com um especial sotaque porto-alegrense. Participou em todos os shows do Mr. Lee. Gilberto chegou a ser convidado por Liminha para gravar um compacto pela Warner, que havia se separado da Gravadora Continental, na época, e estava criando o seu cast, o que só não rolou em face da falta de garantias financeiras mais sólidas, além da exigência de que abandonasse a banda que sempre o acompanhou. Posteriormente, junto com o próprio Júlio Fürst, com Beto Roncaferro, e com João Antônio, formou os Discocuecas, banda impagável de “gozação” e “tiração de sarro”, na qual restou muito bem canalizada a face humorística que Gilberto também explora como compositor e performer. Em sua faceta “séria” destaca-se, no repertório de Gilberto Travi e o Cálculo IV, “Poluição” e “Pretensão”.
Take na íntegra:
Takes individuais:
01- Gilberto Travi & O Cálculo IV – Rota 76 (V1) (3:09)
02- Gilberto Travi & O Cálculo IV – Pretenso (4:10)
03 – Gilberto Travi & O Cálculo IV – Operário Padrão (3:46)
04 – Gilberto Travi & O Calculo IV – Monumento À Poluição (2:53)
05 – Gilberto Travi & O Cálculo IV – Rua da Praia (2:26)
06 – Gilberto Travi & O Cálculo IV – Rota 76 (V2) (5:28)
Em 1975 e 1976 existia em Porto Alegre um programa de rádio chamado “Mr. Lee em Concerto”. Ia ao ar às dez da noite na histórica Continental AM, frequência 1120, com apresentação de Júlio César Fürst – o “Mr. Lee” em questão. Com o tempo, o radialista decidiu abrir espaço para músicos locais em seu programa e passou a ser exclusivamente com gravações ao vivo ou feitas no estúdio dois da rádio.
Júlio foi o primeiro a divulgar material local em larga escala. Numa época em que nem disco independente existia, a iniciativa de rodar meia-hora de gravações exclusivas todas as noites acabou furando um bloqueio e criando um movimento. A música do Rio Grande do Sul nunca mais foi a mesma.
Além do programa, “Mr Lee” promovia ainda shows coletivos. Não só em Porto Alegre mas também no interior. E depois de um certo tempo o “Mr. Lee em Concerto” passou a ir ao ar simultaneamente na Rádio Iguaçu, de Curitiba. Em 1976 o “Vivendo a Vida de Lee” na capital paranaense, no Ginásio do Círculo Militar (“Palácio de Cristal”), surpreendeu os próprios organizadores com o público com seis mil pessoas.
Luiz Juarez Pinheiro não perdia um só “Mr. Lee em Concerto” e fez mais do que apenas ver e ouvir: com um pequeno gravador portátil, ele gravou vários programas. E manteve suas fitas bem guardadas por todos esses anos. Em um grupo de discussão sobre música disponibilizou nada menos do que quatro CD-Rs com suas raridades.
Por Emílio Pacheco
Publicado originalmente no International Magazine Ed. 90
O texto original foi resumido e o áudio foi remasterizado em 2025 pelo Relicário do Rock Gaúcho