[RELEASE] Banda Prize: A Metamorfose do Rock Gaúcho (1984–1988)

Banda Prize: A Metamorfose do Rock Gaúcho (1984–1988)

A trajetória da Banda Prize é o retrato fiel da transição sonora ocorrida em Porto Alegre na década de 80. O grupo não apenas sobreviveu a crises e mudanças de formação, como soube se reinventar, evoluindo de um Hard Rock clássico para uma sonoridade híbrida que antecipou o Pop Rock Gaúcho com tempero de Funk, Reggae e MPB.

Banda Prize no Rock Garagem 1985
Banda Prize no Rock Garagem 1985

As Origens e o Rock Garagem (1984–1985)

Formada originalmente em 1984 como um trio focado no Hard Rock “oitentista”, a Prize rapidamente ganhou espaço na cena local. A formação inicial contava com Solon Coelho (guitarra) e Cláudio Mattos (bateria).

Em 1985, a banda participou da histórica coletânea Rock Garagem II com a faixa ‘Tua Voz’. Este registro foi fundamental para colocar a Prize no mapa fonográfico de Porto Alegre, em um momento onde os registros independentes ainda eram raros.

Crise, Reinvenção e a Saída de Duca Leindecker

A entrada do jovem Duca Leindecker trouxe novos ares, mas sua saída para integrar a Bandaliera (e mais tarde fundar o Cidadão Quem) gerou uma crise interna que forçou a banda a se redescobrir. Em vez de encerrar as atividades, Solon e Cláudio decidiram “encorpar” o som, adicionando metais e teclados.

A sonoridade passou a flertar com o que bandas como Barão Vermelho (fase “Maior Abandonado”) e Kid Abelha faziam no centro do país, mas com a técnica apurada dos músicos gaúchos.

 


Banda Prize no Rio Grande do Rock 1988
Banda Prize no Rio Grande do Rock 1988

A Fase Áurea: O Sexteto Pop-Funk (1986–1988)

A formação que consolidou a Prize como uma potência das rádios e dos palcos foi um “dream team”:

  • Luciano Bortoluzzi (Voz): Trouxe o apelo pop e soul necessário para as FMs.
  • Solon Coelho (Guitarra): Já demonstrava o virtuosismo que o tornaria o mestre do blues, o “Solon Fishbone”.
  • Cláudio Mattos (Bateria): O pilar rítmico da banda.
  • Paulo Mello (Baixo): Egresso do lendário *Taranatiriça*, trouxe uma “cozinha” técnica e pesada, essencial para o groove.
  • Alexandre Coelho (Sax): O diferencial melódico que afastava a Prize do rock de garagem tradicional.
  • Ricardo Linn (Teclados): Responsável pelas texturas e sínteses modernas da época.

O Fenômeno das Fitas Demo e “Luluzinha”

Diferente de contemporâneos que focavam apenas em LPs, a Prize tornou-se um fenômeno de execução através de fitas demo enviadas às rádios FMs.

  • Luluzinha: O maior sucesso radiofônico da banda sem ter registro ‘oficial’. Uma música pop, dançante e urbana que, curiosamente, nunca chegou ao vinil, tornando-se um dos itens de colecionador e raros da história do rock gaúcho.
  • Forças do Interesse: Lançada na coletânea Rio Grande do Rock (1988), esta faixa é o registro definitivo do sexteto. Com crítica social e arranjos sofisticados, sintetiza a inquietude de Porto Alegre na redemocratização.
  • Ferrochumbo: Outro sucesso de público que demonstrava o peso técnico da banda e poucas execuções em rádio.

 


Legado e Atualidade

A Prize foi a escola onde o rock encontrou o groove em Porto Alegre. Representa uma “camada profunda” da música gaúcha que a história deve preservar.

Atualmente (2026), Solon Fishbone e Cláudio Mattos seguem como pilares da cena musical gaúcha, mantendo vivo o legado de técnica e experimentação que nasceu naqueles anos 80. Paulo Mello continua ativo, participando de projetos e reuniões do Taranatiriça.

A Prize provou que o rock feito no Sul não precisava ser estático; ele podia ser dançante, sofisticado e, acima de tudo, tecnicamente impecável.

 

 

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