[BIO] Sobre o DEFALLA

Banda Defalla

Quem São

A Banda Defalla é uma das mais importantes e influentes bandas do rock gaúcho, liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Edu K (Eduardo Martins Dorneles). Natural de Porto Alegre, Edu K começou sua trajetória musical ainda na adolescência, com apenas 16 anos, em uma época em que a sociedade ainda se surpreendia com “adolescentes em boates”. Sua história musical, porém, começa ainda antes, em Foz do Iguaçu, onde existiu a banda Fluxo de Energia (1981-82), formação que contava com Edu K na guitarra, Xis na voz, Paulo e Cristo nas guitarras – uma espécie de embrião do que viria a se tornar o projeto definitivo.

Antes do Defalla, Edu K integrou a banda Fluxo, grupo antecessor formado por ele (guitarra), Leandro Martins (baixo), Biba Meira (bateria) e Xyss (vocal). O Fluxo era descrito como um grupo de “som new wave altamente dançante”, com atributos declarados de “coragem, energia, muita garra e vontade de acertar”. A banda se apresentava em casas noturnas de Porto Alegre, como a Crocodilo’s, e despontou como um dos mais afiados grupos da nova geração do rock porto-alegrense.

A consolidação definitiva veio com o Defalla, que se tornaria um dos nomes mais emblemáticos do rock produzido no Rio Grande do Sul, projetando-se nacionalmente e deixando um legado duradouro na música brasileira.

A Origem

Quando o radialista Ricardo Barão (1954-2010), conhecido por seu trabalho na rádio Ipanema FM, decidiu reunir em disco os grupos novos que chegavam às suas mãos em fitas cassete, nasceu o LP “Rock Garagem” (1984). Lançado pela gravadora Acit, de Caxias do Sul, o álbum apresentou 10 grupos representativos da diversidade sonora local, colocou o Rio Grande do Sul no mapa da música jovem brasileira e atraiu a atenção de gravadoras do centro do país. A coletânea foi lançada em dezembro de 1984 e, entre as bandas participantes, estava a Fluxo – na qual ainda não existia o Defalla. Em janeiro de 1985, Edu K, Carlo Pianta e Biba Meira fundaram o Defalla.

A nova banda rapidamente se propagou na cena cultural. Ainda em 1985, já era destaque na Revista Fanzine de Curitiba-PR, em uma matéria que trazia Edu K como representante do rock gaúcho ao lado de Francisco Utrabo, do Máquina Zero (Curitiba). Na entrevista, Edu K discutia questões como a influência dos Sex Pistols e a filosofia “a gente odeia todo mundo”, mostrando a postura contestadora e a profundidade de pensamento que marcariam sua carreira.

Paralelamente, a cena underground local vivia o fim de outra banda. O “Enterro do Urubu Rei” foi um show de encerramento do grupo gaúcho de pós-punk/new-wave, realizado em 6 de novembro de 1985 no Bar Ocidente, em Porto Alegre. A festa-despedida contou com um caixão simbólico e marcou o fim do grupo após um período intenso. No entanto, antes disso, Edu K assistira a um dos ensaios do Urubu-Rei no pátio da casa do Miranda e pensou algo como “Vou roubar esta banda para mim”. As integrantes da banda estavam envolvidas em outras atividades e, aos poucos, foram se afastando do Urubu-Rei. Numa vital tentativa, incluíram Julio Reny nos vocais, mas mesmo assim a banda teve seu encerramento.

 

Outro acontecimento colaborou para o plano de Edu K: tão logo saiu a coletânea “Rock Grande do Sul”, em 1986, o ‘trio’ Defalla se desfez, mas havia contrato a ser cumprido. Biba Meira pediu a Castor Daudt e ao Flu para recompor o Defalla e manter os acordos com a gravadora. Foi então que Edu K concretizou o plano anterior de “roubar a banda” e consolidaram o Defalla

Um dos momentos mais significativos da história do Defalla foi a gravação de “Não Me Mande Flores”, uma das canções mais lembradas do rock gaúcho, que ocupa um lugar especial no que se poderia chamar de “hinário” afetivo do gênero. A canção tornou-se um clássico na voz de Edu K, mas sua origem é anterior ao surgimento do próprio grupo. A letra foi escrita por Luciene Adami, vocalista da banda Urubu Rei no início dos anos 1980, em parceria com o guitarrista Castor Daudt, responsável pela parte musical (arranjo). A inspiração veio de uma situação real vivida por Luciene, o que confere autenticidade à composição.

Momentos importantes

A saída  da Biba Meira, em 1989, foi tratada como um momento crítico, pois “sem ela e sua bateria o DeFalla torna-se uma outra banda”. Foi assim que iniciou-se uma outra fase da banda, agora com o Castor Daudt na bateria e Marcelo Fornazier na guitarra e que culminou no lançamento da demo “Megablasts From Hell” (1991), seguida do vinil “Kingzxobullshitbackinfulleffect’92” (1992) e sua versão em CD (1993). Esse período foi um momento importante para acompanhar a mutação em curso da banda e entender melhor seus processos criativos, escolhas e desdobramentos.

O Defalla também se conecta à história do produtor Carlos Eduardo Miranda (21/03/1962 – 22/03/2018), que fez parte de pioneiros grupos locais como Taranatiriça, Atahualpa Y Us Panquis e Urubu Rei – a formação que eventualmente se consolidou no DeFalla. Miranda, que depois se tornaria um dos mais importantes produtores do rock brasileiro, lançando nomes como Raimundos, Skank e O Rappa, teve papel fundamental na formatação e divulgação do rock brasileiro.

Estilo Musical e Influências

O Defalla é conhecido por sua sonoridade que transita entre o rock, a new wave e o funk, com uma atitude punk e uma pegada dançante. A banda surgiu em um contexto de diversidade sonora, convivendo com grupos como Taranatiriça, Garotos da Rua e Replicantes, cada um com sua proposta dentro do rock.

As influências de Edu K são amplas e profundas. Em seus relatos, ele menciona a importância de Julio Reny, com quem passou a conviver desde os 15 anos, recebendo verdadeiras “aulas” de jazz, conhecendo a fundo artistas como Chet Baker e Billie Holiday, além de ser apresentado à literatura beat e autores noir como Raymond Chandler, David Goodis e Rex Stout, e também Bukowski. Essa formação cultural ampla influenciou não apenas sua música, mas sua visão de mundo e sua postura artística.

O som do Defalla também reflete a efervescência dos anos 1980, com sua new wave altamente dançante, mas evoluiu ao longo do tempo, incorporando elementos de funk, rock alternativo e experimentações sonoras, como demonstra o álbum “Kingzobullshitbackinfulleffect92”, que é considerado um retrato de uma das muitas fases da banda.

Discografia

Aguardando atualização de discografia.

Legado e Importância

O legado do Defalla transcende sua discografia. A banda é parte fundamental da história do rock gaúcho, tendo contribuído para colocar o Rio Grande do Sul no mapa da música jovem brasileira nos anos 1980. Sua importância é reconhecida em projetos como o Relicário do Rock Gaúcho, fruto de uma colaboração histórica que ganhou vida em 2013, após o reencontro de Reinaldo com Edu K em 2010. O acervo foi consolidado com material da banda Defalla pela mãe de Edu K, a dona Syrlei Dorneles, e contou com a expertise de Samarone Silveira na pesquisa e execução, além da contribuição de Daniel Tombini (RIP) e Darlan Porto, atual curador responsável por organizar e manter viva a imensa discoteca digital.

O projeto nasceu da percepção de que a história visual e sonora do rock feito no Rio Grande do Sul estava se perdendo, e se transformou em um dos maiores arquivos digitais de cultura musical do pop e do rock gaúcho. Nesse contexto, a banda Defalla ocupa lugar de destaque, com seu material preservado e celebrado.

Canções como “Não Me Mande Flores” permanecem vivas no imaginário popular, ocupando um lugar especial no hinário afetivo do rock gaúcho. A influência de Edu K, Biba Meira, Castor Daudt e Flu, além do Defalla, se estende por gerações, inspirando novas bandas e músicos que veem na trajetória do grupo um exemplo de coragem, energia e autenticidade.

O Defalla representa, em sua essência, o espírito do rock gaúcho: uma mistura de atitude punk, sofisticação musical e uma busca incansável por expressão artística genuína, que atravessa décadas e continua relevante para as novas gerações.

Informações mais detalhadas você encontra no site wikpédia (o perfil é monitorado pela Banda e por nós do Relicário)

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