Publicação da revista Informativo do Vale, coluna CHIPÔ, 22 de dezembro de 2014.
Texto transcrito
Defalla: Monstro
A banda volta com um disco novo em 2015 e uma formação inédita: Biba (bateria), Castor (guitarra), Pianta (baixo) e EduK (voz), misturando as formações original e clássica.
Quem tem mais de 30 e curte rock’n’roll provavelmente vai gostar desta notícia: após algum tempo parado, o Defalla deve voltar à cena em 2015.
A banda começou em 1986 e, desde então, vem fazendo história no rock gaúcho e nacional. Nos anos 1980, na capital, o Porto de Elis e o Bar Ocidente eram extensões das casas dos músicos. “Eram locais mágicos que reuniam uma turma bacana, e os shows que rolaram por lá eram simplesmente fantásticos. Pena que a maioria não foi nem gravada nem filmada, pois seria um arquivo maravilhoso, um registro único de uma época inspirada”, diz Carlos Castor Daudt.
Chegou a hora, mais uma vez, de a irreverência e o escracho subirem ao palco.
Poucos dos gaúchos “jovens há mais tempo” não lembram do Hollywood Rock de 1993, quando a banda abriu o show do Red Hot Chili Peppers.
O Defalla está voltando!
Castor Daudt, o guitarrista da Banda, falou com exclusividade à coluna Chipô:
Chipô – Hollywood Rock, dois shows, 1993. Por que o Defalla foi escolhido? Como isto influenciou o rock nacional da época e como foi a experiência?
Castor Daudt – Foi por causa do nosso 5º disco (“Kingzobullshit” – 1992), que é até hoje considerado um marco do rock brasileiro. Desta fase, temos fãs fervorosos, que decidiram até seguir carreira na música, como Marcelo D2, BNegão, John e Fernanda do Pato Fú, Charlie Brown Jr., Chico Science e muitos outros. Maior honra para nós. Foi incrível abrir para o Red Hot em janeiro de 1993, e por duas vezes, em São Paulo e no Rio. Sempre tocamos sobre os nossos temas mais recentes. Ainda mais inacreditável foi cruzar com os caras do Nirvana pelos corredores (menos o Kurt Cobain, que ficou o tempo todo com a mulher, Courtney Love). O Dave Grohl ficava passeando e o Kris Novoselic chegou a entrar no nosso camarim para conversar e beber bastante conosco.
Chipô – E o sucesso do Melô da Popazuda? Vocês tocam? Têm que tocar sempre?
Castor – A questão da Popozuda é polêmica até hoje na banda (tocar ou não), pois é uma das músicas mais famosas e conhecidas do Defalla, mas não representa especificamente o trabalho que é considerado relevante ou “clássico” da banda. Foi mais um trabalho do EduK. Por outro lado, é o tipo de música que teoricamente não poderia faltar no nosso show, pela sua enorme fama, embora não a toquemos sempre, pois ficamos na dúvida se é adequada ou coerente com um determinado público. Provavelmente vamos fazer um arranjo “super-maluco” e tocaremos de uma maneira que ninguém imagina. De agora em diante tudo é possível. Eu, pessoalmente, gosto do riff de guitarra da música e da letra, acho inspirada e bem-humorada, até ingênua, se formos comparar com o que se ouve hoje por ali…
Chipô – Falando no que se ouve hoje por ali, quais as impressões que vocês têm do cenário atual?
Castor – Pergunta difícil. Tem muita coisa boa, mas também muita coisa ruim. É uma mistura complexa, com muita gente diferente e muitas vertentes, que nem sempre se conectam. Não existe mais um “movimento disto ou daquilo”, as modas vêm e vão, tudo é muito rápido e passageiro, na velocidade de um clique. As gravadoras não investem mais como antes e o trabalho do produtor musical é cada vez mais desvalorizado, infelizmente. Daí o que acontece é que qualquer um, com um notebook, faz “música”, sem nenhum parâmetro de qualidade, nenhuma produção, nenhum refinamento. Não acho que isso seja necessariamente ruim, não! Traz muita liberdade! Esta banalização da gravação e lançamento de músicas, neste caso, pode ser uma coisa boa e uma coisa ruim, ao mesmo tempo. Permite esta maior “liberdade artística”, mas diminui a qualidade da produção em geral.
