Gaúchos exportam
Embora estejam mais frequentemente associados ao rock, os dois frequentam o funk há anos. Fredi Endres e Edu K emplacam hits como Popozuda Rock’n’Roll e a Comunidade Nin Jitsu ataca com Ah, Eu Tô Sem Erva.
Fredi “Chernobyl” Endres e Edu K estão na linha de frente do funk carioca adotado nas pistas europeias
Depois de abrir espaço nas festas da classe média, o funk carioca vai ganhando as pistas européias. Luis Bissigo seu próprio hit do estilo alguns anos depois: Popozuda Rock’n’Roll. A malícia da Popozuda virou item de exportação em 2004, ao ser incluída em uma coletânea européia de funk carioca – tido no underground de lá como um estilo moderno e descolado. Ano passado, foi a vez de Edu K divulgar por lá um álbum inteiro de funk, Frenétiko.
Trabalhando como DJs e produtores, Fredi Endres – guitarrista da Comunidade Nin-Jitsu – e Edu K – ex-De Falla – já fizeram seus nomes em clubes do Velho Continente alucinados com o pancadão. Em uma de suas turnês européias de 2006, ele teve Endres – com a alcunha eletrônica DJ Chernobyl – como companheiro de palco.
- 1994 – Para lembrar do sucesso do Rap da Felicidade, da dupla Cidinho e Doca (“eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde nasci”). “Quando vimos, a música da periferia do Rio estava usando a batida miami bass. Achávamos as letras engraçadas. A Comunidade Nin-Jitsu incorporou isso e juntou com o rock”, explica o guitarrista.
- 1994 e 1995 – Funkeiros cariocas como MC Batata e Cidinho e Doca estão na linha bailes funk, inspirado no miami bass (estilo de rap americano centrado nas batidas e nas letras maliciosas de nomes como 2 Live Crew e Tony Loc).
- 1997 – A banda gaúcha Comunidade Nin-Jitsu grava seu primeiro disco, Broncas Legais, com músicas como Detetive e Melô do Analfabeto. Edu K é o produtor.
- 2000 e 2001 – Nova onda de sucesso nacional do funk carioca, com nomes como Bonde do Tigrão e Mr. Catra e canções como Cerol na Mão e Tchu Tchuca. O De Falla de Edu K lança o hit Popozuda Rock’n’Roll.
- 2004 – Popozuda Rock’n’Roll é incluída na coletânea Rio Baile Funk – Favela Booty Beats, do selo europeu Essay Recordings, ajudando a difundir o gênero no circuito underground.
- 2004 e 2005 – MC Bola de Fogo, Deize Tigrona e Tati Quebra-Barraco são alguns dos nomes da nova onda funkeira a fazer sucesso nacional com músicas como Atoladinha e Dako É Bom.
- 2006 e 2007 – Edu K divulga na Europa um CD dedicado ao funk, Frenétiko. Fredi Endres, como DJ Chernobyl, tem discos lançados no Japão e excursionista pela Europa. A mescla vai ser tema de uma coletânea a ser lançada em breve pela Som Livre, com nomes como Bonde do Rolê, MC’s HC, Turbo Trio e, é claro, Edu K e Comunidade Nin-Jitsu. Se a percussão vai ser parecida à da Europa, só lançando para saber.
“O público brasileiro é meio preconceituoso. Lá fora, as pessoas têm entendido melhor a música”, analisa Edu K.
“Se o público está lá (no Exterior), por que não ir?”, resume Endres.
Este ano, eles seguem o baile. Edu deve voltar à Europa em outubro, e Endres desembarcaria ontem de uma turnê por Hungria, Inglaterra e Suécia. Endres volta a tocar, em julho, no festival Fuji Rock, no Japão, país em que já teve dois álbuns lançados combinando funk, rock e electro.
Os consultores de rock’n’roll
Além de seus próprios trabalhos entre o rock e o funk, Fredi Endres (como DJ Chernobyl) e Edu K também participam do projeto Produtores Toddy (www.produtorestoddy.com.br – Page Not Found). Ali, eles fazem o que pode ser considerado uma consultoria online especializada em rock: recebem perguntas e gravações demo de bandas de todo o país e respondem com dicas e comentários, além de escreverem blogs individuais voltados à música. O produtor paulista Kuaker, que já colaborou com CPM 22 e Ratos de Porão, também está no time.
Segundo Caderno – ZERO HORA – TERÇA-FEIRA, 21 DE AGOSTO DE 2007
