[PRESS] Miranda e sua coleção de fitas de VHS [1995]

Prodotor de discos mantém acervo com cerca de 300 fitas

Carlos Eduardo Miranda dá preferência a filmes de terror com muito sangue

Seis da manhã. É mais ou menos a essa hora que o produtor Carlos Eduardo Miranda chega em casa quando há gravações na Excelente Discos, o selo que ele dirige em parceria com os titãs Charles Gavin, Sérgio Brito e Branco Mello. Para não ir direto para a cama, às vezes põe no videocassete um dos 300 filmes da sua coleção. “Aí, espero dar um soninho”, explica. O relaxamento, porém, não vem com roteiros açucarados. “Tenho fissura por filmes muito ruins, aqueles de terror, bem sanguinolentos, bem vagabundos”, diz Miranda.

Ex-diretor da Banguela Records, que lançou os grupos Raimundos e Mundo Livre S/A, ele agora prepara pela Excelente o disco do Blues Etílicos e da banda Pus. Vara as noites trabalhando. O antídoto para a agitação o espera num armário abarrotado de fitas. Lá está, por exemplo, um dos seus prediletos — Padre Pedro E A Revolta das Crianças, com Pedro de Lara, Wilza Carla, Gugu Liberato e Zé do Caixão, um ator e cineasta por quem Miranda tem grande admiração. “Tenho muitos filmes do Zé e num deles, ainda não lançado, até fiz uma ponta, no papel de morto-vivo.”

Miranda foge dos filmes atualmente distribuídos por Hollywood, nos quais, segundo ele, os roteiristas trabalham baseados em fórmulas repetitivas e nauseantes. Também evita os cults, por considerá-los “frescos, com muito enfeite de câmera e luz”. Dos brasileiros, gosta de Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias e principalmente Ivan Cardoso, que assumem o que Miranda chama de “chinelagem”.

A nova safra de autores nacionais ainda não conquistou o produtor. “Não gosto desse neon-realismo que anda por aí”, avisa ele. Na adolescência, Miranda consumiu às pencas nouvelle vague e outros gêneros do cinema dito sério. Mas as doses exageradas de cinema-cabeça, com exceção dos filmes de Glauber Rocha e de Eisenstein, provocaram-lhe um enjôo crônico. Agora, ele só quer o que for de B para baixo e alguns desenhos animados, como Pernalonga, Popeye e Super-Homem.

MIRANDA PREFERE FILMES B E ALGUNS DESENHOS ANIMADOS

TOP TEN

Os preferidos de Carlos Eduardo Miranda:

  • Vota dos Mortos Vivos (The Return of the Living Dead) — 1985. De Dan O’Bannon, com Clu Gulager, James Karen
  • À Meia-Noite Levarei Sua Alma — 1962. De José Mojica Marins, com ele, Magda Mei
  • Barravento — 1962. De Glauber Rocha, com Antonio Pitanga e Luiza Maranhão
  • Fome Animal (Braindead) — 1992. De Peter Jackson, com Timothy Balme, Diane Penalver
  • O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre) — 1975. De Tobe Hooper, com Marilyn Burns
  • A Morte do Demônio (The Evil Dead) — 1983. De Sam Raimi, com Bruce Campbell, Ellen Sandweiss e Betsy Baker
  • Rio 40 Graus — 1955. De Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha e Sadi Cabral
  • O Terceiro Tiro (The Trouble with Harry) — 1955. De Alfred Hitchcock, com Shirley MacLaine, John Forsythe e Edmund Gwen.
  • Pinóquio (Pinocchio) — 1940. Direção de Ben Sharpsteen e Hamilton Luske.
  • Que Viva México (idem) — 1931/32. Semidocumentário de Sergei Eisenstein

 

Fonte: Estado de São Paulo, 29 de fevereiro de 1996, por Fernando Barros

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