Metal do Gladiator estreia no vinil
A banda ‘trash’ lança o primeiro álbum e comemora os 5 anos de estrada com um show no Porto de Elis
Marcos Pinho Gomes
Porto Alegre não é Seattle e muito menos Belo Horizonte, mas tem uma banda heavy metal a cada esquina. Os garotos da Gladiator estão há cinco anos na estrada. Neste período lançaram duas demo-tapes e agora estão estreando em disco. “Dreadful Dreams” chega pelo selo Whiplash Records com produção da própria banda e Edu Coelho. O lançamento é às 23h, no Porto de Elis (Protásio Alves, 1670). Antes e após o show serão exibidos no telão vídeos de metal.
FOTOS DIVULGAÇÃO / CP
A Gladiator milita no campo do trash metal, com influências de Slayer e Metallica, e está entre os grandes nomes do gênero por aqui ao lado de Panic e Leviathan. Foi formada em agosto de 87 por Antônio, Robson, Gilson e Auber, guitarra, vocal, bateria e baixo. No mesmo ano faturaram três prêmios no 1º Festival de Rock da Zona Sul. Em 89 sai a primeira demo, “Oppression and Pain”, com bom respaldo de crítica, e tocam ao lado do Leviathan. Em 91 é a vez da segunda fita, “Holy Words”, onde figura também uma versão para “Sunshine of Your Love”, do Cream.
Entre agosto e setembro entraram em estúdio e gravaram o primeiro álbum. São oito faixas (quatro delas inéditas). Em cinco anos de trajetória enfrentaram várias mudanças na equipe. O time atual é: Robson (vocal), Ivan e Cristiano (guitarras), Luciano (baixo) e Gilson (bateria). Ingressos a Cr$ 20 mil no local e Cr$ 15 mil (antecipados na Megaforce).
DREADFUL DREAMS, o debut da Gladiator no vinil, oferece uma boa amostra do potencial da banda após duas promissoras fitas demo. O som promovido pelo quinteto é trash metal furioso em que alguns dedilhados de violões preparam o clima para a pancadaria sonora. Não é à toa que o Metallica está entre as suas influências.
O instrumental é arrebatador. Os guitarristas Ivan e Antônio (que saiu após a gravação do disco e foi substituído por Cristiano) mostram perfeito entrosamento em solos velozes e certeiros, enquanto a cozinha baixo-bateria segura o pique e os vocais guturais dão o contraponto. Metal rápido, pesado e eficiente, sem frescuras.
As letras vociferam contra sistema, racismo, religião, entre os temas de praxe no gênero. A qualidade de gravação é mediana (os vocais soam um tanto abafados em algumas faixas). Entre os destaques estão “Selective Eye”, “Holy Words”, “Addicted to Kill” e a versão pesada para “Sunshine of Your Love”, do Cream. O passo que faltava na consolidação do trabalho do grupo. Agora o negócio é batalhar por uma carreira fora daqui e, quem sabe, no exterior. Competência e garra não lhes falta.
A produção é da banda e Edu Coelho.
Em LP da Whiplash Records.
Fonte: zero hora, dia 8 de dezembro de 1992.
