Durante o congelado inverno porto-alegrense de 88, uma moçada sacudiu a poeira do (cenário rock local ) precisamente quando ele apresentava sinais de estagnação
Ao lado dos malucos da Graforréia Xilarmónica, despontava tos robes dos observadores de plantão o Smog Fog, mais um grupo promotor de uma absurda mistura de géneros e estilos.
Vindos de um aro de apresentações em colégios, Guilherme Figueiredo e Felipe Duarte (guitarristas. vocalistas e mentores da original concepção da Smog Fog de música) surpreenderam com seus arranjos inusitados, percorrendo caminhos que desembocam em uma emaranhada trama psiaxiélica.
Atualmente sem baterista fixo, a dupla conta com João Olair, baixista que constantemente utiliza o efeito chorus, numa aproximação leve de alguns exemplares do rock inglês. Vozes, guitarras e percussão, por outro lado. dilaceram qualquer influência, tornando-as praticamente im-perceptíveis. .
“Costuma-se confundir o novo com o original. Aí se instaura o mito da espontaneidade, onde público e artistas, se enganam mutuamente”. afirmam os músicos no texto de apresentação de seu caprichado book.
O compromisso com a originalidade permite ao Smog Fog transitar livremente por baiões e valsas, evitando escorregões através de guinadas bruscas na dinâmica das músicas. As letras chegam a ser saudáveis absurdas do tipo:
“Em cima fica o céu / embaixo fica o mar / para cima, pa-ra baixo / tralalali. tralalalá”.
Para quem se interessar, o selo Vórtex lançou uma fita do grupo, encontrada em algumas lojas de São Paulo e Porto Alegre, ou pelo reembolso postal.
Carlos Eduado Miranda, em março de 1990
Acervo da banda Smogfog
