Banda DeFalla humilha no Leopoldina Juvenil
A banda de rock DeFalla, de Porto Alegre, sofreu humilhações e foi submetida a vexame contínuos no último sábado, dia 8, quando de sua apresentação no clube Leopoldina Juvenil. Segundo denuncias do seu produtor, José Luiz Felix Oliveira, “fomos, tratados como marginais pelos seguranças, com a conivência da diretoria do clube, sendo que alguns integrantes do grupo sofreram agressões com lesões sérias“. O grupo fez queixa na Delegacia de Policia e exames de lesões corporais no IML, mas o instituto não deixou nenhuma cópia dos exames com o grupo. O mais agredido foi o roadie (ajudante) que foi perseguido pelos seguranças contratados pelo clube, sofreu várias fraturas e está com uma perna engessada. Policiais da Brigada Militar, que faziam ronda próxima ao clube, negaram-se a prestar socorro.
O mais incrível da história ó que eles foram humilhados na frente do diretor do clube, que não acreditou nas denúncias de perseguição dos seguranças desde a chegada ao clube. “Já na entrada tivemos dificuldade,: para entrar no clube, pois os seguranças estava nos tomando como marginais por causa das roupas que usávamos, isso que estávamos vestidos de maneira decente“, conta o produtor. “A péssima organização se manteve durante toda a apresentação da banda e deteriorou quando o baterista, Castor Daudt, ao jogar duas baquetas para o público, que pedia por elas, atingiu um pedaço do lustre, que se quebrou. Foi o que bastou para eles usarem de argumento que estavam depredando o local e que estávamos drogados. Os seguranças, então, nos confinaram no camarim, sob ameaças constantes, nos fizeram tirar toda a roupa para revista, sem que encontrassem nenhum vestígio de drogas, e ainda roubaram um casaco do baixista, Flávio Santos, que, por ironia, é sócio do clube, juntamente com o guitarrista Marcelo Truda“, contam.
No final, a banda não recebeu o cachê previsto no contrato e foi ameaçada pelos seguranças caso denunciassem o caso à policia e à imprensa. O advogado Flávio Moreira, que também é sócio do clube, já adiantou que vai ingressar com processo contra a sociedade, alegam do que não é a primeira vez que isso acontece em sua. dependências. “Estamos com medo, pois sabemos que muitos daqueles seguranças circulam por aí, principalmente no Bom Fim, e podem nos agredir em qualquer lugar“, concluem os integrantes da banda.
ZERO HORA, 15 de julho de 1989
