[PRESS] Maratona de rock revela 10 novas bandas (1988)

Foram mais de sete horas de música, uma verdadeira maratona que atravessou as madrugadas de sexta-feira, sábado e domingo da semana passada e nos quais subiram ao palco do Teatro Presidente 33 grupos de rock/pop da Capital e interior do Estado, disputando as 10 faixas do disco a ser lançado com as músicas vencedoras do Som do Sul II.

Da primeira noite, as três bandas classificadas, que já tem assegurada sua inclusão no disco, são (entre parênteses o titulo da música) Guerrilheiro Anil-Nuclear (Xeque Mate), Banda 525 (Amor Verdadeiro) e Logos ( Veste o Verde); sábado, classificaram-se Capitães de Areia (Alienação), Êxito Letal (Rebeldia) e Luta, de Três de Maio (Hoje Eu Choro); domingo, Vergonha da Família (Rei das Esquinas), Rebeldes (Arrepiado), Retrato Falado (Sonhos), e Zabrinskie (Medo, Por que não?).

Destacaram-se ainda, na pontuação do júri – formado por profissionais da imprensa especializada, rádios, gravadoras gaúchas e das multinacionais do disco-, as bandas Fluxo M, de Rio Grande, e Suíte 69 e Nova Estação da Capital. A duas formam um espécie de “reserva técnica”, na eventualidade do disco a ser gravado poder conter mais de 10 faixas, o que ainda está sendo estudado pelo realizador do evento, o comunicador Bibo Nunes, ou de alguma das 10 classificadas não puder participar das sessões de gravação, em estúdio ainda não indicado. Merece registro o fato de três bandas terem sido desclassificadas: Poster Club e Entre Tantos, as duas por não apresentarem a música programada, e a Lory F. Band, que apresentou-se desfalcada, aliás, apenas com a integrante principal, a própria Lory Finocchiaro, que cantou uma boa música, apenas ela e seu contrabaixo.

Em relação à organização em si, à exceção de pequenos detalhes como a falta de um amplificador e caixa som nos bastidores, para que os músicos pudessem afinar seus instrumentos, evitando que isso tivesse de ser feito no palco, e a falta de um local melhor iluminado para o júri, o festival funcionou bem. A troca de uma banda para outra no palco foi sempre muito ágil, evitando interrupções monótonas, assim como a equalização dos instrumento e sonorização em geral, pela quantidade de configurações apresentadas pelos diferentes grupos, foram muito bem feitas pela Vento Norte; a iluminação também esteve competente.

Fraco estava o público: na primeira noite, não mais de cem pessoas estiveram no Presidente. O público melhorou no sábado e domingo, na média de umas 400 pessoas por noite, talvez devido a redução do preço dos ingressos, de Cr$1.000 para Cr$ 500, que por esses valores puderam assistir aos shows especiais do Taranatiriça, seguindo Bandaliera e TNT no encerramento. Musicalmente, tudo muda de figura.

Com raras exceções, grande parte das bandas que lá se apresentaram foram de nível médio e outras deixaram muito a desejar. Provavelmente, não ouviremos falar de um bocado delas dentro de pouco tempo. Já que não dá para fazer uma critica individual de cada uma, resta falar nos principais destaques. A banda Poster Club, por exemplo, não fosse o motivo que a levou à desclassificação, poderia estar entre as 10 finalistas. O grupo Guerrilheiro Anil-Nuclear, uma espécie de clone da Bandaliera, subiu ao palco com pose de vencedor, embora o heavy metal não tivesse muitas chances. Prevaleceram composições de cunho mais pop, com pouco uso de instrumentos de sopro e teclados eletrônicos, caso de Mid Range, Sindicato do Crime e Capitães de Areia.

Se a maioria das bandas mostrou músicas na linha do pop/rock, o blues e o reggae tiveram apenas um representante cada. No final fica-se com a sensação de que já ouvimos “aquela” melodia, “aquele” arranjo e assim por diante, em algum lugar. Faltou quem experimentasse e ousasse mais, fugisse ao padrão das rádios (claro, não as que foram classificadas, já que o objetivo é exatamente esse) ou do modelito importado. Não se pode dizer que aconteceu um show de criatividade. Mas foi uma boa amostragem do que anda acontecendo no Estado em termos musicais, uma iniciativa que deve ser repetida todos os anos, se possível.

 

 

Por LUIZ PAULO SANTOS Editorial 2° Caderno/ZH

 

 

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