DeFalla reserva surpresa no Ocidente
A banda destaque de 1987 faz o primeiro show de rock do ano com músicas inéditas
Silvio Ferreira
Malditos, o DeFalla e sua baterista Biba Meira colhem rasgados elogios da crítica, mas não tocam nas FMs
Para ser considerada uma das maiores bateristas do Brasil em 1987, Biba Meira não precisou mais de 1,5m de altura. Em compensação, esta popularidade já começou a lhe trazer os primeiros resultados práticos. Na semana passada ela recebeu uma carta de um fã apaixonado pedindo uma foto sua completamente nua. Os elogios da crítica especializada, no entanto, não se restringiram apenas a ela. O DeFalla, grupo onde Biba é baterista, também foi eleito como um dos principais destaques do rock brasileiro no ano que passou. Para começar 88 com o pé direito, eles farão o primeiro show de rock do ano, prometendo também um telão com um vídeo da banda para quem comparecer hoje à noite no Bar Ocidente.
A palavra roteiro está longe do vocabulário de Edu K (vocalista), Flávio Santos (baixo), Castor Daudt (guitarra e segunda bateria) e Biba Meira (primeira bateria), atual formação do DeFalla. Segundo eles, não existe motivo para fazer um show rigoroso e organizado no Ocidente, um local bastante conhecido pelos integrantes da banda. “Para início de conversa nós fizemos apenas dois ensaios. Outro detalhe é que vai ser uma apresentação para os amigos e, por isso, tocaremos várias músicas inéditas. Em algumas, inclusive, o arranjo final acontecerá lá na hora”, anunciam.
Mas além das novas músicas, “que nem título possuem ainda“, o DeFalla está ansioso para mostrar o vídeo gravado durante uma apresentação em Charqueadas: “É uma história de sexo, violência e rock and roll“, conta Flávio Santos. “A coisa começou meio por acaso, como tudo o que acontece conosco. Estávamos prontos para entrar no palco e apareceu uma filmadora. Aí, bolamos uma brincadeira que acabou rendendo este vídeo de uns 15 minutos”, lembra o baixista, dizendo que, vindo deles, não poderia ser algo sério.
Muito do sucesso do DeFalla está na figura do vocalista e guitarrista Edu K, responsável pelas letras das músicas e que surpreendeu o público do Canecão, em dezembro passado, no lançamento do novo selo da RCA – Plug -, quando se apresentou de minissaia ao lado de Castor, engessado da cintura para cima. Este show, que marcou o primeiro disco do grupo, arrebatou os maiores elogios da crítica do centro do país. E os frutos começam a aparecer para este quarteto que já tem quase confirmada uma participação no aniversário do Circo Voador, no próximo dia 16.
Apesar do sucesso — via de regra são citados pelos grupos Legião Urbana, Ira! e Capital Inicial como um dos melhores grupos de rock do Brasil -, o DeFalla não toca nas rádios. “Já estamos acostumados com isso. Não fazemos um tipo de música fácil para se ouvir. Somos considerados malditos para tocar nas FMs; os programadores preferem coisas menos ferozes”, definem, mesmo que isso represente alguns inconvenientes: pela passagem aérea adquirida para realizar um show em Brasília, setembro último, eles pagam uma prestação de cinco mil cruzados até hoje. Mas para a vizinhança não reclamar, hoje, às 22h30min, o Ocidente terá uma apresentação “informal e descontraída”. Uma coisa, porém, eles não abrem mão.
“Às vezes não chegamos a ensaiar três vezes por mês, mas no palco nós detonamos”.
FONTE: DIÁRIO DO SUL DIA 07/01/1988

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