A pacata e ensolarada tarde de ontem do porto-alegrense ganhou contornos, no mínimo, interessantes junto ao Viaduto Ildo Meneghetti (Ramiro Barcellos esquina Vasco da Gama), transformado no palco do 2° Pic-nic ArtShow, promovido pelo Scalp Cabeleireiros. Darks, punks, new-waves, pós alternativos, curiosos e os mortais comuns foram os personagens desta festa, que serviu também para chamar a atenção sobre o Troféu Scalp 87, que será realizado em breve.
Na grama, junto ao prédio do Scalp, foi improvisado um pequeno palco, com estreitos balões coloridos e onde também postaram algumas cabeças a terem “produzias”. No alto da urna escada (cedida pelos bombeiros), o grafiteiro Jorge “Gariba” Batista Imprimia seus semblantes já bastante conhecidos das paredes da Oswaldo Aranha.
De um lado, o rock do Pupilas Dilatadas; do outro, muito sabonete e glicerina e crazy color, manejados por hábeis mãos na criação do visual punk comanche. De repente, a grama recebe mais uma presença: a do violoncelista Fábio Vergara Cerqueira e de Rogério Gorriza um dos Integrantes do elenco de Os Sobrinhos do Capitão -, com sua respectiva cesta de pic-nic repleta de pastéis, ma-04 e refrigerantes.
A presença de vários representantes da noite do bairro Bonfim, ostentando seus exóticos visuais, fazia com que os motorista que passavam, invariavelmente, diminuíssem a marcha e parassem para ver. Mas a festa ainda contou cora a presença de Edu K, guitarrista de De Falla, atores de teatro, artistas plásticos, do grupo Justa Causa e dos Replicantes.
Discretamente parado junto a fila de observadores, Ary Bier, 60 anos, contador, revelou estar satisfazendo sua curiosidade em relação à jovem guarda: “cada um tem seu tempo. Ainda que sejam todos exóticos, eles se sentem bem assim. Contraria-los não adianta. Tem que dar força“.
Já o guitarrista do Pupilas Dilatadas, Felipe Mesa, é da opinião que este tipo de festa tem que se repetir com mais assiduidade. Especialmente por se constituir em mais local para a banda poder se apresentar. “É difícil ter um lugar para tocar, principalmente uma banda punk que acham que é meio violenta. Para o movimento, falta um lugar assim para poder se manifestar“.
Fonte: ZERO HORA, 13 de abril de 1987.
