[PRESS] Cooperativa dos Músicos – Nelson Coelho de Castro Presidente (1987)

 Cooperativa dos Músicos – Nelson Coelho de Castro é o Presidente

A Cooperativa dos Músicos já tem uma diretoria provisória e Nelson Coelho de Castro, indicado por aclamação, é o presidente desta fase de implantação da entidade.

Reunidos terça-feira, no Clube de Cultura, um grupo de 30 artistas resolveu que era hora de operacionalizar as intenções de união da categoria, que vinha se traduzindo numa série de reuniões, desde de novembro do ano passado (1986).

O curioso é que, há 20 anos, ali mesmo onde os músicos vêm se reunindo para criar a cooperativa, foi lançada a Frente da Música Popular Gaúcha, uma tentativa pioneira de reunir os artistas. Era o inicio da época dos festivais da MPB, onde os gaúchos apareciam pouco e a Frente foi uma tentativa de aglutinação que não rendeu os frutos esperados.

Cláudio Levitan, indicado para a vice-presidência, diz que, agora “estamos voltando ao ponto de partida, mas retomando com urna nova estratégia de ação, a fim de atuar no mercado de música“. E a nova estratégia de que ele fala é a autogestão. “Queremos viabilizar o nosso trabalho de maneira autônoma“, diz.

O nome de Nelson Coelho de Castro surgiu de consenso. “Ele é aglutinador e exerce uma espécie de liderança. As pessoas sabem que, se ele estiver Junto, há maiores possibilidades das coisas darem certo“, diz Levitan). Já Nelson lembrou “que precisamos acreditar que é possível viabilizar nosso trabalho, apesar de tudo. Temos que ser amorosos, nos acreditar bonitos e competentes para superar as dificuldades que enfrentamos

Para Levitan “a valorização da música local esbarra em duas frentes e acabamos ficando como o marisco, entre o mar e rochedo. De um lado temos um tradicionalismo exacerbado e reacionário, onde uns poucos dizem como devemos compor. Do outro, as multinacionais Impingindo o rock como única música viável comercialmente“.

Para ele, ainda, a Cooperativa dos Músicos – que poderá ter âmbito metropolitano ou estadual, a ser definido – poderá impor certas condições no jogo político-econômico da reorganização do Rio Grande do Sul. O novo governo já é um alento, pois os músicos, de uma maneira geral, estiveram, nestes 25 anos, na oposição, também”. Entre os planos dos cooperativados está a criação de um programa de rádio e uma série de apresentações de artistas locais, autoproduzidos. Três comissões foram tiradas na reunião: projetos e produção, estrutura e constituição e estudos e debates, que se reúnem semanalmente.

Na diretoria, além de Nelson e Levitan, Cristiano Hanssen e Joca Marques ficaram com cargos de secretários e Coié Lacerda e Wilson Sá Brito como tesoureiros. As reuniões são abertas aos interessados ás terças-feiras, sempre no Clube de Cultura. na Ramiro Barcellos, 1853, às 19 horas.

FONTE ZERO HORA DIA 27/03/1987

 


Contexto Cultural no RS neste período:
A Busca por Institucionalização

O contexto nacional de redemocratização trouxe consigo uma mobilização em torno da área cultural. Grupos de intelectuais e trabalhadores da cultura passaram a discutir profundamente o significado da cultura, o acesso a ela e o papel do Estado em seu fomento. No Rio Grande do Sul, esse movimento se refletiu em importantes avanços institucionais. O período foi marcado pela busca de um novo modelo de gestão para a cultura, que culminaria, no final da década, com a criação da Secretaria de Estado da Cultura e do Sistema Estadual de Museus, institucionalizando e profissionalizando o setor. A imprensa também acompanhava essa movimentação. O jornal Diário do Sul, que circulou entre 1986 e 1988, é um exemplo de como a cobertura cultural da época passou a dar destaque para a economia da arte e do sistema cultural, refletindo uma visão mais estruturada do setor.


Comente sobre este post: