O DeFalla avança
O DeFalla confirmou-se, nos shows de terça e quarta no Renascença. Os mais radicais talvez até não concordem com a evolução da banda, mas a verdade é que, sem perder seu feeling essencial, ela hoje faz uma música mais para o geral do que para o particular. E, o que pelo menos pessoalmente eu considero bom, está conseguindo situar-se além dos rótulos.
Biba Meira e Edu K. são, sem dúvida, a espinha dorsal do DeFalla. Ela, rápida e segura, esquivando-se de comparações e firmando um tipo de batida que não tem a ver com o velho rock, nem tampouco com a batida unicelular consagrada nos 80 pelo pós-punk. Vejo algo novo na bateria de Biba.
Edu, que tem entre suas utopias ultrapassar o futuro, pareceu um pouco preocupado (ou contido) na estreia, mas isso não impediu que se possa ver nele uma personagem que vai dar o que falar no Brasil. É sanguíneo e vivo o espírito do rock, como quem respira, quer dizer, ao natural, sem pensar sobre essa condição.
Flávio Santos me parece o baixista nem mais nem menos; fica ali no canto, quieto, filtrando o ritmo.
Já Castor Daudt tem pista aberta para participar mais, ser mais ofensivo. No show ele não chegou a dar tudo o que se poderia esperar. Mas as indicações do DeFalla estão na roda, o grupo tem vácuo para progredir e seu som até poderia ter um pouco mais de rispidez. Programada ou não.
FONTE ZERO HORA DIA 21/03/1987
