[PRESS] ‘Puncks do Porto’: primeiro registro impresso na mídia sobre Os Replicantes (1984)

Provavelmente este é o primeiro registro impresso na mídia sobre Os Replicantes, início de abril de 1984.

Naquela época, Os Replicantes estavam em uma fase muito embrionária, ensaiando e se preparando para seus primeiros passos públicos. A formação era a mesma do recorte: Wander Wildner (vocal), Claudio Heinz (guitarra), Heron Heinz (baixo) e Carlos Gerbase (bateria). A informação presumida é que a publicação foi anterior ao show antológico de maio do mesmo ano. Incluímos um outro texto do mesmo recorte, escrito pelo Mauro Borba, na época radialista na Rádio Ipanema, todavia sem relação com Os Replicantes. É sobre a banda Asdrúbal trouxe o trombone.

 


 

Em nossas pesquisas, um resumo do que mais se aproxima daquele momento.

O Contexto de Março/Abril de 1984

  • Ensaios Intensos: A banda havia se formado há poucos meses, em novembro de 1983, quando os integrantes compraram seus primeiros instrumentos (guitarras e baixo da marca Rei, amplificador Giannini e uma bateria Pinguim) e montaram tudo na garagem da Rua Marquês do Pombal, em Porto Alegre. Seu som era um punk rock cru e direto.

  • O Segundo Show (em Canela): De acordo com registros, em abril de 1984, Os Replicantes fizeram o que é considerado o segundo show da carreira. A apresentação ocorreu de forma bem informal, no quintal da casa da família de Carlos Gerbase, na cidade de Canela, na serra gaúcha. Ou seja, enquanto a Folha de Bar circulava em Porto Alegre com a primeira matéria sobre eles, a banda se preparava para ou estava tocando neste show privado em Canela.

  • Pré-estreia Oficial: Este período era de “aquecimento”. O primeiro show oficial da banda, que é um marco na história do rock gaúcho, aconteceria poucas semanas depois, em 16 de maio de 1984, no lendário Bar Ocidente. Foi uma estreia caótica, com a banda sendo hostilizada por cusparadas e ovos, mas que entrou para a história

 


 

Transcrição do recorte:

PUNCKS DO PORTO

Os Replicantes tocam rock e fazem muito barulho, apesar de tudo. Vander Wildner no microfone, Claudio Heinz na guitarra, Heron Heinz no baixo e Carlos Gerbase na bateria. Todos eles odeiam samba, música nativista e Caetano Veloso. Não acreditam no paraíso ecológico e são pessimistas quanto ao passado. A vida não vale uma corda de guitarra Rei desafinada.

Os Replicantes

 

 


 

Folha de Bar, ano 1, n. 1, de 29 de março a 11 de abril de 1984, Porto Alegre – RS.

Acervo de Claudio Heinz

 

 

 


 

Bônus: um texto do Mauro Borba para este jornal

ASDRUBAL DE BOCA NO TROMBONE

Asdrúbal trouxe o trombone e fez a farra da terra. É uma coisa vídeo disco teatro interplanetária. No palco, o pessoal faz cena, canta, dança e cai na real. Tem uma transa muito forte com o e vir das pessoas; a distância e a viagem. “Quem parte quem fica o que significa?” O Asdrúbal faz um rock do teatro e nos faz lembrar impressões de viagem. A banda Paris 400 gravou o disco com a força do Caetano. “São pessoas de cantam e dançam, quando chegam chocam, põe a perna e a voz lá”. A maioria das músicas é de Péricles Cavalcanti. “Voar mais de mil milhas d avião ou só ficar sonhando no portão; ver de perto um templo do Nepal o então colecionar cartão postal”. Blues, Reggae, Heavy Metal. Só dá tesão o que existe de melhor. Très Jolie! Mauro Borba

 

 

E o recorte enviado:

 

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