[PRESS] Ao Vivo – Bandas Plug [Revista Bizz] (1987)

 Ao Vivo – Bandas Plug

Saco de gatos – Canecão (RJ) 05, 06, 07, 08 e 09/11

Para lançar oficialmente seu novo selo do rock nacional – o Plug – a RCA armou um big festival no Canecão que durou cinco noites. No palco, seu mais novo/jovem cast, que tem de tudo.

Quarta-feira, calor intenso na cidade. Os Replicantes, de Porto Alegre, dão o pontapé inicial na maraton- hardcore de primeira linha, subindo pelo dorso. O público delira, até que… CLICK!, as luzes são acesas e os microfones emudecem no meio do show – uma cena bastante desagradável, pois cada banda teria apenas meia hora, o que prejudicou vários trabalhos. A seguir o TNT com um visualzinho meio Beatles, de franjinha e tudo. Não primam pela originalidade, mas pela garra com que tocam. Fechando a noite, surge o João Penca. Eles são hilários e inteligentes, brincam com todos os clichês possíveis e dão um belo show, apesar de prejudicados pelo som, horrível! Antes de ir para casa, não deixo de reparar numa figura meio andrógina alta, numa minissaia amarela, acompanhado(a) de um sujeito engessado da cintura para cima. Parecia um encontro entre Xuxa e Rococó.

Quinta-feira. Quem disse que o calor ia diminuir? Logo no início, uma surpresa – não é que aquelas duas figuras estão no palco? Era o DeFalla, com um som de arrepiar os cabelos – uma mistura de Red Hot Chili Peppers com Beastie Boys, se é que isso é possível. Obscenidade contagiante e um show arrebatador. De trás de uma demolidora bateria surge a frágil loirinha Biba. O da minissaia chama-se Edu K. Infelizmente o arraso do DeFalla não é repetido pelos Garotos da Rua, competentes, mas que deixam um gosto insosso na boca. Muita gente aproveita para comprar uma cerveja, voltando para assistir ao Violeta de Outono. O show é mais acelerado do que o de costume, embora algumas vezes um pouco cheio de firulas. No fim o resultado é tão bom que eles voltam num bis consagrador.

Na sexta-feira vê-se o menor público, até então. O Black Future abre a noite. O clima da banda oscila entre o melancólico e o depressivo, ajudado pelo canto discursivo do vocalista Satanésio. É um som que incomoda e não há meio termo – amor total ou ódio absoluto. Nenhum de Nós toca durante meia hora, insuficiente para mostrar se possui um som próprio. Fica a dúvida. E a noite se encerrou com o Obina Shock, desfalcado de seu baterista. Superversátil, Roger ocupa seu lugar e, apesar dos problemas, faz um belo espetáculo.

Sábado, casa quase cheia. Os Aliados (ex-Os Melhores de Léo Jaime) abrem com um pop sem atrativo especial. O melhor vem a seguir – é o Hojerizah, com Toni Platão à frente soltando o vozeirão que Deus lhe deu, que combinado com um rock básico, leva a plateia ao delírio. Saem merecidamente ovacionados. A temperatura continua subindo com a banda seguinte, os Picassos Falsos, cada vez mais seguros.

Domingo marca o final da maratona. Os Engenheiros do Hawaii mostram que seu sucesso não é à toa – são quase uma cult band nacional. São seguidos pelo Hanoi-Hanoi, do superbaixista Arnaldo Brandão que, contudo, não é dono de uma voz das mais potentes. O som oscila entre a qualidade instrumental e canções medianas e dispensáveis. Quem vencerá? Encerrando tudo, de fato, o grupo mineiro Sexo Explícito, que não consegue se encontrar, faz com que muitas pessoas deixem o espaço antes do final, apavoradas com os uivos de seu vocalista. O calor, contudo, continua intenso.

 

 

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