fev 112021
 

Cópia da folha de um caderno da composição da clássica ‘Fazê um Bolo’, da banda Taranatiriça.

A origem da música ‘Fazê um Bolo’

“Estava trabalhando numa outra canção, chamada Xerox (que só foi gravada no segundo disco) e não estava satisfeito, então dei uma parada pra relaxar. Fiquei tocando uma viola e vieram os acordes de Fazê um Bolo. E a letra veio junto. Eu já fui escrevendo no meu caderno e riscando e refazendo e mudando a ordem, mas foi tudo em poucas horas, numa tarde. Já ouvi outros compositores falarem que empacam numa canção que meio que dá trabalho e, quando resolvem dar um tempo, de repente vem uma outra prontinha rapidinho. Foi o caso dessa.

Está tudo aí, nesse primeiro rascunho. Só o que mudou foi que acabei limando um parte da letra e teve o retoque final, muito importante: o refrão terminava com ‘… um filme de amor’ e o Alemão Ronaldo mudou para ‘… um filme de rock’. Gênio!! E o Marcelo Truda criou o riff da guitarra, no primeiro ensaio da canção. Gênio, também!

Era 1984, já tinham rolado os shows do Presidente, mas pouco tempo depois teve outro show muito legal no Salão de Atos da Reitoria da UFRGS. Foi lá que tocamos Fazê um Bolo pela primeira vez e … ‘the crowd went crazy’ (como diria Pete Townshend). O público cantou o refrão junto conosco, na primeira vez que estava ouvindo a música. Inesquecível.”

E sobre os shows no Teatro Presidente:

“Para mim, o show mais importante do Tara foi no Teatro Presidente. Na verdade foram dois. Montamos tudo um dia antes e fizemos um ensaio geral. Som, luz, palco e efeitos especiais com explosões e o praticável da bateria que se movimentava para a frente do palco na hora do solo do Cau. Era bastante gente trabalhando.

Estávamos começamos a montar a equipe que nos acompanhou na estrada por alguns anos. Com tudo preparado, nas duas noites seguintes foi só chegar e tocar. Casa cheia e o pessoal curtindo muito. Muita gurizada. Teve muita banda que se formou depois de assistir aqueles shows. Os irmãos Luciano e Marcelo Granja, que tinham tipo 11 e 10 anos, foram com o pai deles e resolveram montar a Curto Circuito.

Soube que o Fred e o Nando Endres, que tempos depois formariam a Comunidade Nin-Jitsu, também estavam lá.”

Texto enviado pelo Paulo Mello, para redação do Relicário do Rock Gaúcho, em 11/02/2021

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